Portal Eletrolar.com

Notícias

Whirlpool corrige erros sobre verbas no balanço de 2018

No novo relatório publicado, quase R$ 79 milhões foram descontados da receita líquida de janeiro a março do ano passado

A Whirlpool do Brasil, dona das marcas Brastemp e Consul, identificou erros na classificação de saldos de recebíveis e de verbas comerciais em seu balanço no ano passado. A companhia precisou fazer a correção dos números de 2018, novamente publicados ontem. No novo relatório publicado, quase R$ 79 milhões foram descontados da receita líquida de janeiro a março do ano passado, quando o valor atingiu R$ 2,260 bilhões. Por conta da baixa, o lucro bruto acabou também sendo reduzido no valor de R$ 79 milhões.

“Em decorrência de correção de erro na apresentação de saldos de antecipação de recebíveis e operações de verbas comerciais, os valores correspondentes referentes ao exercício anterior […] foram ajustados e estão sendo reapresentados como previsto no CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro”, informa a Ernst &Young, auditoria da empresa, em seu relatório.

Essa verba comercial pode ter sido descontada dos números agora se a companhia incluiu nessa linha certas bonificações como venda. Mas como nos contratos com varejistas, normalmente, o valor das notas acabam tendo um desconto, o pagamento feito ao final pode ser menor que o informado. No relatório, a empresa não dá detalhes.

Além disso, há efeito em outra linha. Como verba comercial é uma bonificação, o montante é tratado pela legislação como uma despesa da indústria. Como a verba total prevista não foi concedida, a despesas também não foram aquelas informadas anteriormente, mas em valor menor.

Além dessa questão das verbas, a empresa ainda considerou nos números republicados a operação da Embraco como operação descontinuada em 2018. A Embraco, operação de compressores para refrigeração da companhia, foi vendida para o grupo japonês Nidec em abril do ano passado. A operação ainda não foi concluída.

Após essa inclusão, as despesas com vendas e gerais e administrativas caíram, o que tem um efeito positivo no número final.

Além dessas mudanças, a empresa ainda informou um ganho com “outras receitas operacionais” no valor de R$ 192 milhões, que foi fundamental para a melhora do lucro, relativos a créditos a recuperar de uma ação com trânsito em julgado favorável à Whirlpool.

O aumento das receitas financeiras também tiveram impacto positivo. Como reflexo deste fator e da linha de “outras receitas”, o grupo teve lucro líquido de R$ 348,4 milhões, versus R$ 72,4 milhões um ano antes.

Ainda no material, a companhia disse que a operação no Brasil receberá da Nidec US$ 671,7 milhões do valor total da venda da Embraco, de US$ 1,13 bilhão.

Em dezembro, um grupo de acionistas minoritários, do Clube de Investimentos Ártica, solicitou abertura de procedimento administrativo contra a companhia na Comissão de Valores Mobiliários. Eles solicitavam que a empresa informasse o montante do valor da venda que ficaria no Brasil.

Agora, com a informação de que o valor equivale a 59% total, os minoritários entendem que o percentual não é correto, considerando que quase 100% do patrimônio líquido da Embraco está alocado no Brasil. Por isso, os investidores avaliam a abertura de outro processo administrativo, apurou o Valor. A CVM analisa os pedidos e pode arquivá-los ou dar andamento.

Fonte: Valor Econômico

publicidade