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Para varejo, momento é o mais crítico desde eleição

Com confiança e demanda contidas, entidade sugere ao comércio baixar o nível dos estoques

Com a confiança do consumidor e do empresário do comércio em queda em abril e retração nos indicadores de intenção de investimento e contratação de funcionários pelos varejistas, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) avalia que o setor passa pelo seu momento mais crítico desde agosto de 2018, antes das eleições. A entidade recomenda aos comerciantes cautela e ajuste de estoques, o que deve seguir limitando o desempenho da indústria.

“Todos os indicadores que medem a propensão a investir e a consumir tiveram queda significativa. Isso é reflexo do fim da lua de mel com o atual governo”, afirma Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP. “Estamos voltando a um patamar de incerteza política e econômica que vimos antes da eleição.”

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) paulistano sofreu sua segunda queda consecutiva (-3%), passando de 125,9 pontos em março para 121,7 pontos em abril. Acompanhando essa piora, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) retraiu de 125,3 pontos em março para 123,8 pontos em abril, numa queda de 1,2%, que interrompeu sequência de sete altas seguidas.

“O consumidor não tem orçamento para novas compras em decorrência das instabilidades econômicas, como alta do desemprego, desvalorização do real e inflação sobre determinados produtos (alimentos, por exemplo)”, destaca a FecomercioSP. “Assim, os empresários percebem suas vendas em um ritmo lento e ficam receosos em relação a investimentos futuros e contratações”, acrescenta.

Neste cenário, o Índice de Expansão do Comércio (IEC) também recuou 2,1% e passou de 108,7 pontos em março para 106,4 pontos em abril. Os dois quesitos que compõem o IEC registraram queda no mês: a propensão do empresário a investir baixou 1,7% em relação a março e passou de 90,5 pontos para 88,9 pontos. Já o item que mede a expectativa de novas contratações caiu 2,4%, com 123,9 pontos em abril, ante 126,9 em março.

“Após a eleição, a população e os empresários esperaram que, depois do Carnaval, muita coisa já estaria feita, com a reforma da Previdência encaminhada e o Brasil em situação muito mais confortável”, afirma Dietze. “Mas o que vemos é uma reforma da Previdência sem norte ou previsibilidade, uma inflação batendo 5% e números do comércio e da indústria bem mais fracos do que o esperado. Então é natural uma correção de confiança”, diz.

Em abril, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 4,94% no acumulado de 12 meses. A produção industrial registrou queda de 1,3% em março, dado mais recente, enquanto as vendas do varejo restrito e ampliado cresceram respectivamente 0,3% e 1,1% naquele mês, em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal. Todos os dados vieram piores do que o esperado pelos analistas.

Diante da expectativa de que a recuperação econômica seja mais lenta do que o previsto no início do ano, a federação sugere conservadorismo aos comerciantes. “Recomendamos aos varejistas que ajustem seus estoques”, diz Dietze. A FecomercioSP afirma ainda que o comerciante não deve interromper totalmente os investimentos, mas não é hora de ser ousado em relação a novos empreendimentos.

Fonte: Valor Econômico

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