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Vendas da linha branca crescem 11,7%

As vendas da indústria para o varejo de refrigeradores, fogões e lavadoras avançaram 11,7%.

Embalados pelo aumento na confiança após eleições, os consumidores se sentiram mais à vontade para comprar produtos da linha branca no primeiro trimestre. As vendas da indústria para o varejo de refrigeradores, fogões e lavadoras avançaram 11,7%.  Segundo a Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, as vendas da indústria para o varejo avançaram 11,7% entre janeiro e março, para 3,72 milhões de unidades nos três principais produtos da categoria (refrigeradores, fogões e lavadoras). Nas lojas, a empresa de pesquisa GfK registrou avanço de 5% em unidades, com aumento de 10% no tíquete médio – reflexo dos repasses de custos feitos pelos fabricantes nos últimos meses e do esforço para a venda de produtos com preços mais altos. As promoções que tradicionalmente ocorrem em janeiro e o mês de fevereiro com mais dias úteis tiveram influência positiva no desempenho.

A Whirlpool, líder do setor com as marcas Brastemp e Consul, teve alta de 20% na receita nos três primeiros meses do ano, para R$ 1,7 bilhão. “Nunca tivemos uma participação de mercado tão alta”, diz João Carlos Brega, presidente da companhia para a América Latina. Na divulgação do balanço do primeiro trimestre, a sueca Electrolux, segunda maior do setor no país, destacou que “o mercado está mostrando recuperação” no começo de 2019. O Carrefour também fez menção aos eletrodomésticos, indicando o “forte crescimento” nas vendas como um dos fatores para o desempenho de sua operação de varejo no período.

Mas o que poderia ser um sinal de alento para o setor – que, por conta da crise, está em patamar de vendas no nível de 2011 – não tem sido, exatamente, motivo de comemoração. Com a demora na aprovação da reforma da Previdência e a queda na confiança do consumidor em abril, as perspectivas para o segundo trimestre e para o restante do ano não são muito efusivas. “Vamos aguardar o fechamento e abril e maio para dizer se há retomada”, diz José Jorge, presidente da Eletros. A avaliação da entidade é que o avanço no primeiro trimestre possa estar ligado, em parte, à reposição de estoques do varejo por conta das boas vendas na Black Friday e no Natal.

Ele diz também que não há nenhuma sinalização por parte dos fabricantes de grandes volumes de pedidos entre abril e maio, o que leva a uma avaliação conservadora do desempenho no período. A estimativa da Eletros é que a indústria de eletroeletrônicos esteja operando com uma capacidade ociosa de 40%.

De acordo com Henrique Mascarenhas, diretor da GfK, a queda na confiança do consumidor – que recuou 7,1 pontos percentuais até abril, para 89,5 pontos, menor patamar desde outubro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV) -, os consecutivos cortes nas perspectivas de crescimento do PIB e a valorização do dólar criam um cenário nada promissor para os próximos meses. “Não vai ser ano bom e a indústria tem razão de estar reticente”, diz.

Na avaliação de Brega, o desempenho do mercado até agora está dentro do que foi planejado pela companhia. “Não tem milagre, como as coisas mudarem do dia para noite. Quem imaginou que a economia teria um crescimento robusto já no começo do ano fez uma análise rasa”, diz.

Em entrevista ao Valor em setembro do ano passado, Brega afirmou que a expectativa era de crescimento de 10% a 15% para o mercado em 2019. De acordo com o executivo, o cenário de crescimento de dois dígitos se materializará se a reforma da Previdência for aprovada no terceiro trimestre, como a companhia já vinha projetando. “Veja as etapas [pelas quais o projeto tem que passar], não tem jeito [de ser antes]”, diz.

O executivo afirma não acreditar na aprovação de uma reforma desidratada. “O Congresso aprovou o teto dos gastos e a reforma política em um ambiente difícil, reviu a política de tratamento de dependentes de drogas. Tenho confiança no Congresso”, acrescenta. Brega avalia que o termômetro para reforço ou revisão das expectativas será o projeto que a comissão especial enviar para o Senado.

Para ele, se a aprovação do texto ocorrer entre os meses de julho e setembro, e dentro do que se espera atualmente, o quarto trimestre “será uma maravilha” para o setor. Caso contrário, o avanço no ano tende a ficar na casa de um dígito. Em 2018, as vendas de refrigeradores, fogões e lavadoras cresceram 4,72%, para 14,65 milhões de unidades.

“O consumo está represado, quando a economia der um sinal de melhora, decola, vai rápido. Mas o consumidor não está percebendo esses sinais. O governo precisa dar resultados práticos. O que tem acontecido não ajuda”, disse o executivo de uma rede de lojas de médio porte que não quis ter seu nome revelado.

 

Fonte: Valor Econômico

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