Black Friday 2019: vendas devem crescer 4% em valor

Estudo da empresa de pesquisas GfK revela que parcelamento das compras será essencial para estimular as vendas. Exagero nas promoções pode levar o varejo à perda de margem.

Consolidada desde 2016 como a maior data do varejo para linha branca, portáteis, eletrônicos, telefonia e informática, ultrapassando o Natal, a Black Friday deste ano não deve ter o mesmo desempenho de 2018, quando as vendas cresceram quase 8,5% em novembro e o faturamento chegou a R$ 13 bilhões. A previsão é de R$ 13,5 bilhões em bens duráveis, o que representa 4% de aumento de vendas, em valor, sobre a edição de 2018, mostra estudo da empresa de pesquisas GfK.

A estimativa de menor crescimento tem relação com o nível de confiança do consumidor, que entre setembro e novembro do ano passado estava em alta e ainda não retornou ao mesmo patamar pós-eleição. A melhora vem sendo discreta.  “2018 foi muito poderoso”, afirma Felipe Mendes, diretor geral da GfK para o Brasil e a América Latina

Para alavancar as vendas, levando em conta que o poder de compra do consumidor está limitado, uma opção é o parcelamento dos bens adquiridos, diz Felipe. “A possibilidade de oferecer o lançamento e o item premium a uma parcela que caiba no bolso do consumidor é uma expectativa declarada e que pode ser usada como uma ação mais rentável e alternativa às promoções.”

Entre o físico e o digital

O consumidor já escolheu a Black Friday como o evento onde compra um bem ou troca o seu por outro de categoria premium. “É uma compra planejada, mas desejada. Ele adquire inovações beneficiando-se dos preços promocionais. A grande maioria entendeu a oportunidade”, conta o diretor da GfK. Em 2018, na data, as vendas de celulares premium cresceram 20% versus a média do ano. O mesmo ocorreu com televisores e notebooks, ambos com crescimento de 8%.

Promoções mais agressivas ocorrem no varejo físico e nos fabricantes. No online, são mais moderados, mas em maior número. O estudo constata que o varejo brasileiro tem feito promoção de itens premium e lançamentos muito além do necessário, impactando margens e sem a recuperação do preço base após a queima na Black Friday. Isso dificulta atingir melhor rentabilidade. Em 2018, perdeu margem em alguns itens premium.

O canal online, onde a Black Friday começou forte perdeu pela primeira vez para a loja física em 2018, por causa do desempenho positivo dos varejistas nacionais (+12%) e regionais (+8%).  As redes especializadas puxaram o crescimento do canal físico, que respondeu por 72% das vendas de novembro de 2018. “Se a jornada de compra é cada vez mais figital (canal físico e digital/online) e o canal online estabilizou o seu crescimento, o que devemos é repensar como integrar os canais, melhorando a experiência e a percepção de satisfação dos consumidores”, diz Felipe.

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