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  • 02/04/2019 | 02h27

Vai dar certo

Por: Abram Szajman, presidente da FecomercioSP

As vendas do comércio varejista brasileiro, segundo o IBGE, aumentaram em 3% no ano passado. Ainda bem, pois 2018 foi um verdadeiro “Deus nos acuda” para o setor. Após a tenebrosa crise de 2014 a 2016, o varejo começou o ano passado mostrando disposição para repetir o desempenho positivo de 2017, de 1%, ainda segundo o mesmo IBGE, e ir além. As perspectivas eram as melhores, pois os juros menores e os preços estáveis levavam os consumidores às compras.

Não se previa, entretanto, que uma greve nacional de caminhoneiros paralisasse o País, cortasse o abastecimento regular do mercado e, em decorrência, provocasse o desalinhamento dos preços e a fuga, ainda que temporária, do consumidor. A mais danosa consequência da greve, porém, foi servir de estopim para que a tensão latente – característica dos anos eleitorais – se transformasse em alto nível de estresse coletivo a influenciar negativamente o mundo dos negócios, a atividade econômica em geral e o varejo, em particular. Trabalhando dobrado e improvisando para contornar os obstáculos inesperados, o varejista conseguiu “fechar no azul”.

Passada a tormenta que elevou o nível de incerteza de empresários e consumidores, hoje há indicadores favorecendo a crença em vigorosa retomada das vendas varejistas, pois a confiança na economia é maior. Estimativas da FecomercioSP mostram crescimento de 2% no PIB em 2018 e expansão de 5% no varejo paulista. Para 2019, a expectativa é de resultados melhores: PIB de 3% e elevação de 6% no varejo paulista.

Bom exemplo de retomada do nível de atividade e de boas expectativas pode ser encontrado no comércio varejista de eletrodomésticos e eletrônicos, submetido às mesmas dificuldades dos demais segmentos setoriais e do comércio em geral. No Brasil, o resultado de 2018 foi positivo, com aumento de quase 1% em relação a 2017, de acordo com o IBGE. Pode parecer pouco, mas a variação se dá sobre uma base forte de comparação, pois o crescimento foi de 12% no ano anterior. No Estado de São Paulo, especificamente, o desempenho foi mais expressivo. De acordo com dados da FecomercioSP, a atividade encerrou 2018 com crescimento de pouco mais de 10% na comparação anual, também sobre um aumento de 7% registrado em 2017.

O faturamento atual, contudo, ainda não superou os anos pré-crise. No caso nacional, está 14% abaixo do verificado em 2014 e, no caso paulista, mesmo com o desempenho expressivo do ano passado, as vendas ficaram 24% abaixo das obtidas em 2013, melhor ano da série. Essa recuperação está baseada na melhora do tripé “inflação controlada, geração de emprego e taxa de juros baixa”.

No curto prazo, a tendência para 2019 é de crescimento mais pujante, o mesmo estimado para todo o comércio, pois, passadas as eleições e empossado o governo novo, a confiança na economia aumentou significativamente, estimulando as compras do varejo. No longo prazo, no entanto, a economia vai depender das decisões políticas. O ponto crucial para este ano é a votação da reforma da Previdência, inadiável.

Com a aprovação dela, antiga reivindicação da FecomercioSP, estará aberta a porta para grandes investimentos do setor público e da área privada e, com eles, a recuperação do emprego formal, com carteira assinada. Desburocratização, redução da carga tributária e abertura comercial virão em decorrência da resolução da questão previdenciária. Basta que a equipe econômica continue agindo em consonância com as necessidades do setor produtivo, como tem feito até agora.

Fonte: Revista Eletrolar News edição 129

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