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WEG investe para ampliar presença no setor de transmissão

Companhia completa portifólio de reatores de olhos nos dois leilões da Aneel marcados para este ano


De olho nos investimentos necessários no Brasil para levar a energia gerada de uma região para a outra, a fabricante de máquinas e equipamentos WEG, especialista em produtos elétricos, decidiu investir para ganhar mercado nos leilões de transmissão. A empresa passa a oferecer uma linha completa de reatores que, juntos, podem render cerca de R$ 300 milhões anualmente, a depender da demanda.

O aporte foi baixo, de aproximadamente R$ 5 milhões, para entrar no segmento de reatores com 550 kilovolts (kV). A WEG é grande fornecedora de outras voltagens, como 138 kV e 230 kV, e agora pode oferecer um kit completo de subestações para linhões, na esteira dos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), marcados para o próximo dia 28 e para o fim do ano.

“Estimamos que a cada leilão desse tipo, sejam demandados de 50 a 100 reatores desse porte que agora vamos oferecer e, dependendo de quantos forem lançados, o mercado pode movimentar cerca de R$ 300 milhões por ano”, calcula Carlos Prinz, diretor de transmissão e distribuição da WEG. O objetivo da companhia, com sede em Jaraguá do Sul (SC), é replicar nesse segmento a liderança que já possui em transformadores, com participação de “dois dígitos altos” no mercado, disse o executivo.

Esse tipo de equipamento é usado nas subestações de energia montadas na entrada e na saída das linhas de transmissão. Ele é responsável por nivelar a voltagem que passa pela extensão das linhas, compensando e corrigindo potenciais desníveis.

“O Brasil precisa ligar sua geração, em grande medida feita no Norte e Nordeste, com clientes do resto do território, então teremos a demanda por esse equipamentos”, afirma Prinz. “E esse tipo de produto específico, de 550 kV, não tem competição relevante com importados. Ou seja, entramos no momento certo no segmento.”

A Aneel vai leiloar 2,6 mil quilômetros de rede que atravessarão 16 Estados, em 20 diferentes lotes

A Aneel vai leiloar cerca de 2,6 mil quilômetros de rede que atravessarão 16 Estados, em 20 diferentes lotes. Calcula-se que os investimentos necessários serão de R$ 6 bilhões, com geração de 13 mil empregos diretos.

Fornecedoras de outros tipos de produtos também já se mexeram. A fabricante de cabos de alumínio e cobre Alubar, de Barcarena (PA), alocou R$ 100 milhões para expandir a capacidade produtiva em 60%, chegando a 80 mil toneladas anuais. Nesta semana, a empresa soltou um comunicado dizendo que vai “trabalhar para atender toda a demanda do leilão”.

As obras dessa expansão da Alubar se iniciaram em janeiro e devem ser concluídas em dezembro. Em 2020, é possível que a capacidade suba ainda mais, para 100 mil toneladas. A empresa tem receita líquida de mais de R$ 700 milhões por ano e com a expansão pode caminhar para o patamar de R$ 1 bilhão. A paraense conta com uma vantagem estratégica em relação a boa parte da concorrência, já que recebe o alumínio líquido direto da Albras, controlada pela Norsk Hydro e por um consórcio asiático.

No caso da WEG, o investimento permitirá a fabricação em escala de um tipo de equipamento já em uso por clientes. Prinz afirma que a empresa tinha no passado que ser mais seletiva ao participar dos leilões e se concentrar em 230 kV, mas em abril do ano passado já havia fornecido para a EDP Energias do Brasil e a Celesc a cotação de 21 reatores de 550 kV. A proposta foi vencedora no certame e seis equipamentos já estão operantes, com o resto previsto para 2019.

Ontem, o conselho de administração da Celesc aprovou a formação novamente da parceria com a EDP para fazer uma oferta a um lote catarinense no leilão do dia 28. A linha liga Biguaçu a Ratones, em Florianópolis, com 28,6 km de extensão total. Não foi informado se a WEG está, novamente, no negócio.

Fonte: Valor Econômico

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