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Vendas desaceleram mais que o previsto

Para a Eletros, a recuperação econômica ainda lenta, com desemprego alto e clima incerto devido às eleições impedem uma retomada mais acelerada.

José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros


O varejo de produtos eletroeletrônicos perde ritmo de crescimento e a ociosidade nas fábricas na Zona Franca de Manaus chega a 40%, segundo a Eletros, associação que representa a indústria do setor. Após a Copa do Mundo, era esperado um enfraquecimento das vendas, em especial na categoria de imagem e som. Mas a desaceleração está acima do projetado.

No terceiro trimestre do ano passado, a ociosidade do setor de eletroeletrônicos na Zona Franca foi de 30%, em média, com pico de 40% em setembro, segundo o Centro da Indústria do Amazonas.

Para a Eletros, a recuperação econômica ainda lenta, com desemprego alto e clima incerto devido às eleições impedem uma retomada mais acelerada. Na avaliação da associação, a perda de vigor pode afetar a rentabilidade das companhias na segunda metade do ano. Há maior disputa de preços entre as varejistas, para conseguir fechar uma venda.

“A queda no ritmo após a Copa era esperada, mas não de forma tão intensa”, diz José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, que utiliza a produção de televisores como um dos termômetros do setor. O produto responde por dois terços do faturamento deste mercado, segundo dados da Zona Franca. “Em julho, prevíamos produção de 12,5 milhões de aparelhos no ano, e mencionávamos o viés de baixa. Hoje prevemos 11,5 milhões, ainda com viés de baixa”.

Segundo ele, a entidade irá aguardar os dados de agosto e setembro para decidir se revê a estimativa atual, de 11,5 milhões de aparelhos produzidos. Este é praticamente o mesmo número do ano passado, quando o volume atingiu 11,3 milhões. “Se fecharmos em 11,5 milhões, retornaremos quase ao mesmo nível de produção de oito anos atrás, em 2010”, diz ele.

As vendas do setor de móveis e eletrônicos cresciam 7,7%, de janeiro a maio deste ano. Depois, a taxa de expansão caiu para 6,8% até junho e para 5,2% até julho, segundo dados da pesquisa de varejo do IBGE.

A varejista Zema, com 430 lojas em seis Estados revisou para baixo a estimativa de aumento das vendas neste ano, de 15% para 10%, por conta do desaquecimento apurado após julho, em ritmo acima do projetado. “Esperávamos uma recuperação depois da queda verificada com a greve dos caminhoneiros. Mas isso não veio na velocidade estimada. Decidimos refazer o orçamento do ano”, disse Adilson Santos, diretor-geral da rede.

A empresa começou nesta semana a vender através de site próprio, e isso deve ajudar a sustentar a projeção do ano, diz ele. O plano de venda pela internet foi decidido antes do desaquecimento nas vendas. O estoque da empresa (sem incluir celulares) está em cerca de 65 dias, 20 dias acima de um patamar considerado mais saudável pelo mercado. Neste ano, a Zema fechou 34 lojas, consideradas deficitárias. “Mesmo nesse quadro, acreditamos numa Black Friday muito boa, parecida com a do ano passado”, diz. A data deve ocorrer após as eleições, com definição dos políticos eleitos, o que pode ser positivo para o ambiente, não importa quem saia vitorioso, afirma.

Executivos da Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio) já relataram em encontros com bancos no mês passado, expectativas menos otimistas para o terceiro trimestre do ano, apurou o Valor. Ajustes nos sistemas das lojas, em fase final de integração com a operação on-line, acabam gerando alguma instabilidade e também podem afetar o desempenho, disseram os executivos a analistas de bancos.

O comando da Cybelar, rede com 92 lojas no interior de São Paulo, entende que há um efeito de redução na concessão de crédito dos bancos ao consumidor, que teria tido leve recuperação meses atrás no setor, mas voltou a cair. “Julho não foi tão ruim, apesar do ambiente visto após greve dos caminhoneiros. E tivemos um razoável Dia dos Pais, mas depois o mercado parou”, disse Ubirajara Pasquotto, diretor-presidente da Cybelar. “É um ambiente nada propício ao consumo, e há muita demanda reprimida”. A empresa previa no início do ano expansão de 6% a 7%, depois reviu para estabilidade em relação a 2017. “Agora estamos tendo que trabalhar mais, com ações comerciais, para manter essa projeção de estabilidade.”

Fonte: Valor Econômico

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