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Varejo restrito cresceu apenas 0,2% em julho, calculam economistas

Para economistas, mercado de trabalho dita ritmo mais morno das vendas no varejo


As vendas de supermercados mostraram melhora em julho, mas em ritmo insuficiente para dar fôlego mais expressivo ao comércio como um todo, avaliam economistas. Segundo a estimativa média de 30 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o volume comercializado no varejo restrito, que não inclui automóveis e material de construção, subiu 0,2% em relação a junho, feitos os ajustes sazonais. Na medição anterior, houve redução de 0,3%.

As projeções para a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que será divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vão de queda de 1,2% a expansão de 1,1%. Para o varejo ampliado, que inclui, além dos oito segmentos pesquisados no restrito, os de veículos e material de construção, a expectativa é de moderação: após alta de 2,5% em junho, a média de 20 analistas prevê estabilidade para o mês seguinte.

Natalia Cotarelli, economista do banco ABC Brasil, afirma que os resultados esperados para o varejo em julho, se confirmados, representam uma volta à normalidade. Com duração de 11 dias em maio, a greve dos caminhoneiros causou elevada volatilidade nos indicadores de atividade, lembra Natalia, para quem as vendas restritas ficaram estagnadas no sétimo mês do ano.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as vendas reais do setor aumentaram 1,1% na passagem de junho para julho, dado que, dessazonalizado pelo ABC, resultou em avanço de 0,6%. “Os supermercados são o principal setor dentro do varejo restrito, mas esperamos queda de todos os outros segmentos”, diz a economista.

Também na passagem mensal, já feito o ajuste sazonal, observa Natalia, o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio mostrou retração em ramos de atividade como móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática (-1,1%) e tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-2,8%). Para ela, o desempenho ruim dos demais setores está relacionado principalmente à retomada mais fraca do que o previsto do mercado de trabalho.

“O mercado de trabalho mostrou recuperação aquém do imaginado, tanto em termos de velocidade da queda da taxa de desemprego quanto de qualidade da geração de empregos, mais concentrada em postos informais”, disse. “Além disso, a renda real tem crescido em níveis medianos”, acrescenta a analista.

Para o Santander, o varejo restrito subiu 0,1% em relação a junho, enquanto o comércio ampliado teve expansão maior, de 0,5%. Em conjunto com a expectativa de alta de 0,4% para o volume prestado de serviços, dado a ser publicado na sexta pelo IBGE, “os números sinalizam um ritmo lento de recuperação da atividade doméstica no terceiro trimestre”, afirmam os economistas do banco em relatório.

Na outra ponta, a equipe econômica do UBS trabalha com aumento de 1% e 0,5% das vendas restritas e ampliadas, respectivamente, com contribuição de veículos. O banco suíço pondera, no entanto, que, a recuperação da atividade no Brasil “segue sem brilho”, uma vez que, considerando os principais indicadores de atividade, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) deve ter ficado estável em julho.

Fonte: Valor Econômico

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