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Varejo cresce em abril, mas greve deve derrubar volume de vendas em maio

Segundo analistas, o desabastecimento provocado pela greve dos caminhoneiros vai derrubar o varejo em maio


A alta de 1% do volume de vendas do varejo restrito (não inclui veículos e material de construção) de março para abril, feitos os ajustes sazonais, apontou para uma reação mais consistente da atividade no início do segundo trimestre deste ano, dizem analistas, mas essa poderá ter sido a última boa notícia do setor nos próximos meses.

De imediato, o desabastecimento provocado pela greve dos caminhoneiros vai derrubar o varejo em maio. A intensidade dessa baixa, porém, está pouco clara, com projeções de queda de 0,5% a 4%. Para os meses seguintes, os analistas preveem influencias negativas no setor, como incertezas eleitorais, desvalorização do câmbio e impactos na confiança de famílias.

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostrou crescimento das vendas de abril bem acima da previsão média de analistas consultados pelo Valor, de 0,4% frente a março. O desempenho favorável foi disseminado, com sete das oito atividades acompanhadas em terreno positivo, algo inédito em seis anos.

A maior influência positiva veio do ramo de hiper e supermercados, com alta de 1% frente a março. O setor responde à renda e aos preços. Apesar disso, tanto os ramos mais sensíveis às condições de crédito (1,5%) quanto os mais afinados com o desempenho do mercado de trabalho (1,3%) contribuíram no
mês, segundo a LCA Consultores.

Outra boa notícia foi a revisão das vendas do varejo restrito de março, para uma alta de 1,1% ante fevereiro – o dado foi revisado de um avanço de 0,3% divulgado anteriormente. Essa melhora refletiu o ajuste sazonal da pesquisa e novos dados primários nos ramos de supermercados e equipamentos de escritório.

“Antes tinhamos um mês de alta do varejo seguido por um mês de queda ou de pouco crescimento. Era um dado errático. Agora, foi o primeiro par de meses que o varejo se manteve em ritmo de recuperação”, disse Isabella Nunes, gerente da pesquisa do IBGE. “Há uma melhora do ritmo de retomada, embora ainda não recuperem as perdas de 2015 e 2016.”

De janeiro a abril, o volume de vendas do varejo restrito passou acumula agora um avanço de 3,4% sobre o primeiro quadrimestre do ano passado. No acumulado em 12 meses encerrados em abril, o setor cresce num ritmo um pouco mais rápido: 3,7%. No conceito ampliado, que inclui as atividades de veículos e materiais de construção, as vendas foram 1,3% maiores na passagem de abril para março.

O bom resultado do mês é, no entanto, um olhar pelo retrovisor. A greve dos caminhoneiros interrompeu momentaneamente a recuperação do varejo em maio, segundo analistas. A MCM Consultores prevê recuo de 4% do varejo pelo conceito restrito frente a abril. O Itaú, por sua vez, projeta queda mensal de 2% nas vendas do varejo restrito e de 3,5% no ampliado.

Para Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), os impactos negativos da paralisação dos caminhoneiros ficarão circunscritos aos meses de maio e junho, sem comprometer a tendência de crescimento do setor neste ano. Por isso mesmo, diante dos dados positivos de abril, ele elevou de 4,7% para 5% sua projeção para vendas do varejo ampliado.

Na consultoria Tendências, a paralisação dos caminhoneiros, a atividade econômica mais fraca e as incertezas eleitorais desembocaram na revisão da expectativa do varejo neste ano. Pelo conceito restrito, a consultoria cortou recentemente sua projeção de alta do varejo de 3,2% para avanço de 2,5%, disse Isabela Tavares, analista de varejo da Tendências.

“Nós esperamos uma perda de velocidade do varejo nos próximos meses, principalmente em maio e com possíveis efeitos em junho, por conta da paralisação dos caminhoneiros. As incertezas políticas também limitam a recuperação da atividade. Apesar desses impactos, ainda esperamos crescimento do varejo no segundo semestre”, disse ela.

Pelas contas de Paulo Neves, economista da LCA Consultores, o setor deverá recuar na faixa de 0,5% a 1% em maio. Nos meses seguintes, porém, o setor não deverá voltar a exibir as robustas taxas de março e abril. Isso porque, segundo ele, os próximos meses serão ser afetados não só pela greve dos caminhoneiros, mas também pelo quadro geral de incertezas eleitorais e pela desvalorização do câmbio.

“Não tínhamos ainda sentido na ponta o efeito do câmbio. Apesar de do dólar ter subido de R$ 3,30 para R$ 3,50 no mês, existe defasagem até afetar o consumo das famílias”, disse Neves. “O quadro é de esfriamento geral para o ano, como caminha a maioria das projeções. Vamos ter pela frente um período de bastante incerteza”.

A LCA não revisou ainda sua projeção para o varejo no ano, de alta de 3% desde antes da greve dos caminhoneiros, mas o viés é de baixa. “Dificilmente vamos ver taxas de crescimento do varejo de 1%, como em março e abril. O setor foi ajudado pelo crédito para aquisição de bens duráveis, mas isso vai passar por uma acomodação”, disse Neves.

Fonte: Valor Econômico

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