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Teles investem R$ 20,5 bi em nove meses

Sindicato das operadoras vê “mudança de ventos”, com volta da confiança do consumidor

O investimento das prestadoras de serviços de telecomunicações tem dado sinais de recuperação em 2018, segundo informou ontem o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy.

De acordo com a entidade, o setor investiu R$ 20,5 bilhões este ano, até setembro. O valor supera os números registrados nos últimos quatro anos para o mesmo período. As teles investiram R$ 18,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2017, R$ 17,4 bilhões no mesmo intervalo de 2016, R$ 19,8 bilhões em 2015 e R$ 20,0 bilhões em 2014.

“Ainda precisamos esperar o quarto trimestre de 2018, que costuma ser o de arranque final”, afirmou Levy. “Acreditamos que esteja havendo uma mudança de ventos com mais investimentos e, agora, por exemplo, com a melhor Black Friday da história do setor, que demonstra a confiança do consumidor em comprar coisas novas”, acrescentou.

O presidente da entidade voltou a defender a redução da carga tributária que, segundo ele, tem inibido o desenvolvimento do setor, com mais investimentos, e impedido uma redução maior do preço dos serviços para a população. Levy disse que o Brasil tem a carga tributária mais alta do mundo, com 43% sobre a receita líquida do setor.

A demanda por investimentos em infraestrutura é crescente, para acompanhar o aumento no uso de dados pelos usuários de telefonia celular. Os serviços de dados oferecidos pelas operadoras responderam por 71% da receita média por usuário no terceiro trimestre deste ano, segundo o SindiTelebrasil. No mesmo período, o serviço de voz respondeu por 29%.

No terceiro trimestre do ano passado, os serviços de dados representavam 62% da receita média por usuário. A participação do serviço de voz era de 38%.

Investidores também estão com expectativas positivas para o setor. Em evento sobre o mercado de telecomunicações realizado ontem, em São Paulo, analistas do banco Credit Suisse afirmaram que esperam um retorno da racionalidade de preços no mercado de celulares móveis; bom controle de investimentos nos dois próximos anos; e boas perspectivas em relação à aprovação do Projeto de Lei 79, que revisa o marco regulatório do setor e promete destravar investimentos, além da redução da burocracia e liberação do uso dos fundos setoriais.

O Credit Suisse também lembrou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu às operadoras o direito de exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e ao Cofins, o que pode gerar lucros adicionais às empresas. “Mesmo se houverem outras mudanças fiscais, esses créditos não poderão mais ser revertidos”, afirmou a instituição.

Por outro lado, o Credit citou preocupações como o leilão de tecnologia 5G, previsto para ocorrer em 2019. “Talvez o certame ofereça apenas alguns blocos de linhas e exija dos investidores um adiantamento em dinheiro”, observou.

 

Fonte: Valor Econômico

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