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Taxa de juro no varejo cai devagar e redes negociam com bancos

Queda expressiva poderia ajudar a destravar mais rapidamente as vendas


A queda dos juros nas vendas do varejo é mais lenta do que a da taxa básica definida pelo Banco Central (Selic). Enquanto esta caiu de 12,25% ao ano para 6,5% nos últimos 12 meses, os juros no comércio passaram de 98,50% para 88,83% ao ano, segundo a Anefac, associação dos executivos de finanças. No mercado de varejo eletroeletrônico, o mais dependente de crédito no país, o recuo foi de 97,61% para 86,90% ao ano.

Para tentar acelerar essa queda, varejistas têm buscado algum espaço de negociação junto aos bancos, mas os avanços são pouco significativos, segundo três grandes redes ouvidas ontem. ” Estamos tentando, mas isso leva tempo. Não houve melhora de renda, então os bancos entendem que se ele liberam mais crédito ou reduzem taxa, lá na frente podem acabar com uma inadimplência maior”, diz um diretor de varejista.

Na avaliação das companhias, uma redução contínua ou mais representativa nas taxas poderia ajudar a destravar mais rapidamente as vendas neste momento, quando começam a aparecer sinais de recuperação em alguns setores. A operação de venda pelo cartão responde por cerca de 60% da venda das maiores redes de eletrônico no país. No ano passado, os cartões de crédito movimentaram R$ 842,6 bilhões, alta de 12,4%. As vendas, em valor, do varejo cresceram 2,2% no mesmo período.

Os bancos, nas negociações com os varejistas, têm acenado com uma linha conservadora na concessão de crédito. Também mantêm uma postura cautelosa em relação a uma redução mais acelerada nas taxas, dizem duas fontes do varejo.

“É uma conversa de surdo. Nós falamos, informações são trocadas e atualizadas, mas a decisão é deles até por uma questão de contrato”, diz o diretor de uma varejista.

Há pouco mais de uma década, quando grandes varejistas venderam aos bancos uma parte de suas operações financeiras, as funções de cada um dos sócios ficaram claramente determinadas: são os bancos que definem política de crédito, cobrança e “funding”; e o varejo fica com vendas, gestão de pessoas e atendimento ao cliente. Cada um tem a palavra final em sua área.

O juro no varejo vem caindo e o consumidor vem sendo beneficiado, diz uma fonte de um grande banco. “Há varejistas vendendo com juros ao mês no cartão em 1,99% ao mês, algo que não se via há um ou dois anos. Houve queda, a depender da rede varejista que se olhe. Então, não é verdade que não há nenhuma reação”, diz um diretor de banco.

O Valor apurou que uma redução mais acelerada nas taxas já foi assunto discutido em reuniões neste ano entre Casas Bahia e Bradesco e entre a rede Ponto Frio e Itaú, parceiros no financiamento a clientes. O aspecto ainda foi tratado entre Magazine Luiza e o Itaú, sócios na financeira LuizaCred – cada um com 50%. Procuradas, as varejistas não comentaram o assunto. Bradesco e Itaú também não se pronunciaram.

Paralelamente a essas negociações, há uma outra discussão em andamento no Banco Central, envolvendo organizações ligadas a cartões de crédito e a varejistas.

Há alguns meses, o BC, as operadoras de cartões e representantes de varejistas se reúnem para definir formas de baratear o custo do crédito e a eficiência do sistema financeiro. O objetivo é diminuir o custo do crédito ao consumidor.

Neste momento, a atenção dos bancos e das redes está voltada para algum acordo nesse sentido. As negociações coordenadas pelo BC devem passar pela criação de uma nova linha de crédito ao consumidor, a ser disponibilizada dentro do cartão de crédito. O consumidor teria acesso a opções de parcelamentos maiores, com cobrança de juros mensais.

“É a este acordo que as partes estão tentando chegar. Já há testes em algumas varejistas em andamento”, disse uma fonte próxima a um banco.

Levantamentos mostram que o movimento de queda nas taxas de juros é mais expressivo entre as grandes cadeias do setor, com maior fôlego financeiro. O Valor apurou que de um ano para cá, os juros do carnê na Casas Bahia caiu pouco menos de um ponto, para cerca de 4,5% ao mês, em média.

Cadeias menores têm acesso a linhas mais caras no mercado do que as grandes, o que acaba tornando suas taxas mais elevadas.

Os dados da associação mostram que nas grandes varejistas de eletroeletrônicos a taxa de juros caiu de 3,18% ao mês para 6,67%, em 12 meses, até fevereiro deste ano. Nas varejistas de médio porte, a taxa de juros diminuiu numa velocidade menor, de 6,15% para 5,73% ao mês. Já nas pequenas, a queda foi de 7,05% para 6,67%.

“A inadimplência tem um peso fundamental nesse cálculo e com a com o processo de redução nas dívidas dos trabalhadores nos últimos anos, mesmo sem um aumento na renda, a inadimplência não subiu. E isso favorece essa queda nas taxas”, disse Miguel José de Oliveira, diretor executivo de estudos e pesquisas da Anefac. Entre os grandes grupos do varejo, houve alguma melhora em índices de inadimplência e de provisão, após adoção de postura conservadora na concessão de crédito.

Fonte: Valor Econômico

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