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Renda sofre menos que em outras crises econômicas

Em anos anteriores, o ajuste para baixo nos rendimentos foi mais intenso

Os brasileiros que conseguiram manter seus empregos nos últimos meses sofrem menos os efeitos negativos da crise econômica do que em recessões passadas.

Segundo levantamento feito pelos economistas Bruno Ottoni e Tiago Barreira, da FGV, nas crises passadas, o ajuste para baixo nos rendimentos foi mais intenso.

Eles mapearam as últimas recessões desde 1995, definidas segundo os critérios do Codade (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos). Elas duraram, em média, três trimestres. A queda média de renda acumulada nessas crises foi de 1,55%, já descontada a inflação.

Na atual recessão, que já dura 12 trimestres, a queda na renda foi de 1,22%.

O resultado positivo do PIB no primeiro trimestre deste ano, de 1% ante o trimestre anterior, divulgado pelo IBGE na quinta-feira (1º), ainda não levou o comitê a decretar o fim da recessão.

Economistas afirmam que a economia dá sinais de estabilização, porém em um nível ainda baixo de produção e com o desemprego muito elevado. As dificuldades econômicas, somadas às incertezas políticas, aumentam o risco de uma nova contração do PIB nos próximos meses.

Para Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullet Prebon, o ajuste no mercado de trabalho, embora intenso, não acompanhou a contração total da economia nesta recessão. Desde o segundo trimestre de 2014, o PIB retraiu quase 8%. A ocupação caiu 2,5%.

O rendimento cedeu menos: 1,08%. Desde a segunda metade do ano passado, voltou a subir gradualmente, ajudado pela queda da inflação.

Muitas empresas, embora estejam operando com um nível de utilização baixo, não demitiram parte da mão de obra hoje subaproveitada. O que sugere, na visão de Montero, que, antes de contratar, os empresários vão dar mais trabalho aos atuais funcionários.

“Antes de ocupar os desempregados, precisaremos ocupar os empregados”, escreveu Montero em relatório.

Ottoni também prevê que a ocupação só deve reagir no terceiro trimestre deste ano.

“Caso a crise política seja driblada, e as reformas, implementadas, é possível que vejamos o desemprego comece a ceder no fim do ano.”

Fonte: Folha de S. Paulo

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