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Reação segue lenta e varejo restrito cresce só 0,1% em junho, estimam analistas

Projeções indicam aumento de 2,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado


O segundo semestre já avança rumo ao período eleitoral e a paralisação dos caminhoneiros em maio continua a se refletir sobre os indicadores, segundo análises de alguns economistas. As vendas em junho cresceram 0,1% sobre maio, feito o ajuste sazonal, de acordo com a média das previsões de 24 instituições consultadas pelo Valor Data, no conceito restrito (não inclui veículos e material de construção). Na comparação com junho de 2017, as projeções de 27 analistas para o segmento – que apresenta devolução mais lenta das perdas sofridas do que a indústria, devido à baixa confiança – apontam alta de 2,6%.

O IBGE divulga hoje a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) relativa a junho e as projeções dos economistas variam de -0,8% a 2%. Em junho, alguns subsegmentos começaram a investir nas ações promocionais para desaguar seus estoques. Quem foi às compras encontrou descontos sobretudo em itens como calçados e peças de vestuário – setores que deram início às liquidações.

Para a LCA Consultores, a estimativa para a variação em junho do volume de vendas no varejo restrito é de alta de 1,2% ante o mesmo mês de 2017. Feito o ajuste sazonal, a retração esperada em relação a maio é de 0,5%. “Nossa projeção para o varejo ampliado é de crescimento de 2,1% no ano, o que significaria, descontadas as flutuações sazonais, alta de 1,5% sobre o mês anterior. Pega ainda os efeitos finais da paralisação”, diz Vitor Velho, economista da consultoria.

“Quando abrimos os dados, observamos uma alta de 0,6% nos supermercados em maio. Foi quando as pessoas, com medo de desabastecimento, começaram a estocar. Tudo isso influencia na acomodação do indicador”, explica Velho. Ele cita ainda a aceleração da inflação e a Copa do Mundo, em junho, como inibidores do consumo, no segundo caso devido ao horário restrito de funcionamento dos estabelecimentos nos dias de jogos da seleção brasileira.

“Na nossa leitura, o que faz o varejo crescer na margem em junho é a recuperação em termos reais dos combustíveis e bens duráveis, notadamente móveis e eletrodomésticos”, afirma Helcio Takeda, economista da Pezco Economics.

Ele indica que a economia deve mostrar aceleração no terceiro trimestre em relação ao segundo, devido à crise extraordinária ocasionada pelos impasses quanto ao frete: “Alguns setores estão voltando para os patamares anteriores à greve dos caminhoneiros, o que deve impulsionar a atividade como um todo, com crescimento razoável de setores menos elásticos”.

A LCA projeta que o varejo vai fechar em alta de 3% neste ano, mantido um crescimento mensal em torno de 0,5% – 0,2 ponto percentual abaixo do que vinha apresentando antes da crise de maio. A estimativa, destaca Vitor Velho, segue em linha com a baixa confiança.

Fonte: Valor Econômico

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