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Reação do investimento perde força no 1º bimestre

Formação bruta de capital fixo cresceu no primeiro bimestre, mas ainda com contribuição quase exclusiva da parte de máquinas


Os investimentos perderam fôlego em relação ao último trimestre de 2017, mas seguiram com desempenho positivo neste início de ano. Cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Tendências Consultoria mostram que a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do PIB do que se investe em máquinas e equipamentos, construção e pesquisa) cresceu no primeiro bimestre, mas ainda com contribuição quase exclusiva da parte de máquinas, enquanto a construção civil continuou patinando.

Divulgado pelo Ipea, o Indicador Mensal de FBCF do instituto subiu 1,7% entre janeiro e fevereiro, feitos os ajustes sazonais, mas não recuperou o tombo de 2,4% observado na medição anterior. A alta no segundo mês do ano foi liderada pelo consumo aparente de máquinas e equipamentos – medida da produção nacional destes bens, descontadas as exportações, somada à importação deles – que avançou 6,2% na passagem mensal, enquanto o índice de construção civil ficou praticamente estável, com expansão de 0,1%, após ter caído 2,3% em janeiro.

O monitor trimestral de componentes da FBCF da Tendências, por sua vez, perdeu ímpeto, ao crescer 2,2% no primeiro bimestre de 2018, sobre igual período do ano anterior. Nos últimos três meses de 2017, a expansão foi maior, de 8,6%. Neste índice, o consumo aparente de máquinas subiu 7,9% no primeiro bimestre ante o mesmo intervalo de 2017. Já a medida aproximada da consultoria para o PIB da construção recuou 1,6% na mesma ordem.

Os dados do Ipea apontam tendência semelhante: nos dois primeiros meses do ano, pelo indicador da entidade, a FBCF cresceu 3,4% sobre igual período de 2017, com aumento de 16,5% na parte de máquinas e queda de 0,8% nos dados de construção. Nos três meses até dezembro de 2017, a alta dos investimentos em relação ao mesmo intervalo do ano anterior era de 3,8%. Na comparação com ajuste sazonal, a FBCF subiu 1,9% nos três meses terminados em fevereiro, na comparação com o trimestre encerrado em novembro.

Para José Ronaldo de Castro Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, os dados mostram recuperação paulatina da formação bruta. A demanda por bens de capital está maior porque, com a reação da atividade, é preciso repor o estoque de capital que sofreu depreciação, ou defasagem tecnológica, diz. No entanto, projetos de longo prazo ainda não foram tirados da gaveta, uma vez que a produção de bens de capital não seriados, fabricados sob encomenda, ainda está em queda.

Segundo o IBGE, a fabricação desses itens recuou 13,5% entre o primeiro bimestre de 2017 e igual período de 2018, pior desempenho entre as categorias de bens de capital pesquisadas. “Esses bens não seriados dependem de um cenário de menor incerteza, porque são produzidos tendo em vista um investimento mais longo”, diz Castro Júnior.

Do lado da construção, os sinais de retomada começam a aparecer, mas são tênues até o momento, afirmam Felipe Beraldi e Thiago Xavier, da Tendências. A produção de insumos típicos de construção civil subiu 3,2% nos três meses encerrados em fevereiro, em relação aos três meses terminados em janeiro, observa Beraldi. O economista menciona, ainda, que há indícios de recuperação de vendas e lançamentos no mercado imobiliário, ainda que totalmente concentrados em São Paulo.

Coordenadora dos projetos de construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Ana Maria Castelo afirma que, pelo próprio ciclo do setor, a parte de edificações deve ser o principal vetor de crescimento este ano. Já a de infraestrutura, mais afetada pelas incertezas eleitorais e que depende de leilões, tem menor potencial. No cenário do Ibre, o PIB da construção civil vai aumentar 1,1% em 2018, depois de quatro anos seguidos de queda.

Feita pela entidade, a Sondagem da Construção tem mostrado alta contínua da confiança dos empresários do setor, destaca Ana Maria. O Índice de Confiança da Construção (ICST) só não subiu em 2 dos últimos 12 meses. Na passagem de fevereiro para março, o ICST avançou 0,7 ponto, para 82,1 pontos. No primeiro trimestre, o índice aumentou 2,9 pontos sobre os três meses anteriores e 7,2 pontos ante igual período de 2017 (comparação feita sem ajuste sazonal).

A principal influência de expansão sobre o ICST de janeiro a março partiu do segmento de edificações residenciais, cuja melhora da percepção reflete o aumento de lançamentos e de vendas e a redução no número de distratos, de acordo com o Ibre. “A atividade do setor está melhorando bem devagar, mas a percepção é que o pior ficou para trás, avalia Ana Maria.

Para Beraldi e Xavier, a reação do setor deve começar a partir de reformas imobiliárias e da retomada de obras paralisadas. “Os impactos das obras de infraestrutura devem ser limitados no curto prazo, especialmente com os atrasos nas concessões.”

A retomada da atividade da construção civil neste ano será liderada pelo setor imobiliário, concorda Priscila Trigo, economista do Bradesco. “Os segmentos comercial e de infraestrutura, entretanto, manterão desempenho mais moderado”. O banco trabalha com alta de 4% do PIB da construção em 2018.

Além do melhor desempenho da construção, serão impactos positivos no investimento este ano os efeitos da queda da taxa de juros sobre a atividade e a recuperação da confiança do empresariado, afirmam os economistas da Tendências. A consultoria estima que a formação bruta vai avançar 6,2% em 2018, e o PIB da construção, 3,1%.

Fonte: Valor Econômico

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