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Para economistas, varejo restrito recuou em dezembro, mas fecha 2017 em alta de 2,3%

A média de 24 economistas consultados pelo Valor Data indica que no varejo restrito as vendas caíram 0,5% em relação a novembro, mas subiram 4,7% sobre dezembro de 2016

Depois que as promoções da Black Friday elevaram as vendas em novembro, o varejo voltou a registrar queda em dezembro. Segundo economistas, há o efeito rebote pós-promoções, mas os altos e baixos têm sido a característica do atual processo de recuperação.

A média de 24 economistas consultados pelo Valor Data indica que no varejo restrito as vendas caíram 0,5% em relação a novembro, mas subiram 4,7% sobre dezembro de 2016. O intervalo das estimativas vai de alta de 0,2% a queda de 1,7%. A projeção média para o varejo ampliado é de queda de 1,3% ante novembro e de elevação de 5,6% sobre igual período em 2016. Os dados serão divulgados hoje pelo IBGE.

Se realizados, os resultados devem levar o varejo restrito a fechar com alta de 2,3% após dois anos de perdas: -4,3% em 2015 e -6,2% em 2016. O ampliado acumula três anos de queda: -1,7% em 2014, -8,6% em 2015 e -8,7% em 2016.

O setor mudou claramente de patamar em 2017, mas após quedas anuais tão intensas, a retomada anda a passos tímidos, afirma José Francisco Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Ele estima queda de 0,5% no varejo restrito e de 3,4% no ampliado, ante novembro, essa última a mais pessimista entre todas.

“A queda de dezembro não preocupa. É mais uma questão de ajuste sazonal. O varejo está melhor, mas a recuperação é lenta”, afirma. O economista credita essa lentidão ao mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu, mas segue em nível historicamente elevado e a maioria das funções criadas é de baixo rendimento.

Em 2017, avalia Guimarães, o aumento das vendas se deveu mais à queda da inflação, que deixou mais dinheiro disponível para a população consumir, que ao aumento da ocupação.

Em 2018, o economista afirma não esperar números muito melhores, já que a inflação não será mais o motor do ganho de renda e o trabalho continuará precário. “Se houver um aumento de 3% no varejo restrito, será ótimo”, diz.

O banco Haitong, que prevê um recuo de 0,4% no varejo restrito em dezembro ante novembro e de 0,9% no ampliado, diz que a queda do comércio contrasta com a bem-vinda surpresa da produção industrial no mesmo mês, de aumento de 2,8% sobre novembro.

“A queda, se confirmada, mostra a natureza desigual da recuperação econômica do país”, afirmam em relatório os economistas Jankiel Santos e Flávio Serrano. No quarto trimestre ante o terceiro, o varejo restrito deve cair 0,2% e o ampliado aumentar 0,3%, uma desaceleração forte ante à elevação de 2,3% registrada no terceiro trimestre. Essas projeções, diz o Haitong, confirmam a recuperação muito lenta da atividade.

Um elemento que pode estimular o consumo doméstico é o menor comprometimento de renda das famílias com dívidas e o aumento nas concessões de crédito. Em relatório, o Bradesco afirma que o impulso do crédito será o maior desde 2007.

“Ao contrário do observado nos anos de crise, esse impulso contribuirá positivamente para o crescimento da atividade econômica. A correlação do impulso do crédito com o consumo das famílias e investimento é elevada”, diz o banco.

Fonte: Valor Econômico

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