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Panasonic: marca cresce com geladeira e máquina de lavar no Brasil

Companhia vê perspectiva de melhora econômica após resultado das eleições no País


Na sala envidraçada com vista para os jardins do palácio onde vive o imperador, no centro de Tóquio, Shigeo Suzuki, presidente da Panasonic para a América Latina, brinca com a reportagem quando perguntado sobre o resultado das eleições no Brasil. “Pensei que você iria me dar um cenário”.

Em seguida, em tom mais formal, diz: “Acredito que a economia ficará melhor do que está. E espero que as reformas sejam continuadas, que os fundamentos permaneçam estáveis. Apesar de questões de curto prazo, como a variação do câmbio, não vejo nenhum grande problema para o País no futuro”.

Para Suzuki, não há expectativa de crescimento acelerado da economia pelos próximos anos, mas sim de um avanço contínuo. “É ingênuo acreditar que dá pra crescer rápido por muito tempo. Até a China está desacelerando. Do ponto de vista de planejamento, é melhor ter um ritmo de 2% a 3% ao ano”, diz.

No Brasil há 51 anos, a Panasonic vem replicando sua estratégia global de diversificação de receitas, reduzindo a dependência da venda de televisores. O portfólio e os negócios têm crescido principalmente na divisão de linha branca. Em seis anos de operação, o negócio se tornou o segundo mais importante para a empresa no país, se aproximando das TVs. Em termos de mercado, com sua estratégia regional, focada em distribuidores e varejistas de menor porte, a Panasonic chegou à terceira posição do setor, atrás da Whirlpool e da Electrolux – ajudada em alguma medida pela derrocada da Mabe, que ocupava essa posição.

Na fábrica em Extrema, no sul de Minas Gerais, a empresa produziu 1 milhão de unidades desde sua inauguração, em 2012. De acordo com Suzuki, não há planos no momento de ampliar a fabricação para além das geladeiras e máquinas de lavar. A expansão do portfólio tem sido feita pela importação de produtos como micro-ondas, coifas e cooktops. “A cozinha virou algo para se mostrar”, afirma.

Uma outra frente de atuação da companhia, a venda de equipamentos para empresas (B2B) tem avançado em ritmo mais lento do que o esperado por conta da crise. A expectativa, segundo Suzuki, é que os projetos que ficaram engavetados nos últimos tempos por contas das incertezas sejam retomados agora com a melhora no ambiente econômico no país.

Com o processo de diversificação de negócios em andamento há mais tempo, o Brasil tem se tornado ainda mais relevante para a Panasonic dentro da América Latina. No ano fiscal de 2017, encerrado em março deste ano, o país representou mais da metade da receita de 110 bilhões de ienes (US$ 1 bilhão). O valor total para a região é inferior ao registrado em anos anteriores (em 2014 foram 160 bilhões de ienes), mas isso não está relacionado à queda nas vendas, mas sim à variação cambial, segundo Suzuki. “Estamos em processo de construir os novos pilares de atuação nos outros países e isso leva algum tempo. O Brasil continuará a ter uma posição de destaque enquanto crescemos nos outros mercados também.”

Fonte: Valor Econômico

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