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OTTs estimulam expansão de cabos submarinos

País tem nove cabos em operação e deve ativar mais sete até o fim de 2019


Com nove cabos submarinos em operação e previsão de ativar mais sete até o fim de 2019, o Brasil se tornou o hub da tecnologia no continente. A expansão teve o reforço de investimentos de OTTs como Facebook e Google e modificou o desenho internacional das rotas de comunicação.

Este mês, por exemplo, ficou pronto o primeiro cabo submarino de internet que cruza o Atlântico sul – o Sistema de Cabo do Atlântico Sul (SACS), com 6,2 mil km entre Fortaleza (CE) e Ruanda, em Angola, e velocidade de até 40 terabits por segundo (Tbps). Iniciativa da Angola Cables, que opera também o West African Cable System (WACS), consórcio de 23 empresas que conecta 11 países africanos a três europeus. “O SACS oferece latências entre América do Sul e África ou Oriente até cinco vezes menores que as atuais”, afirma o CEO Antonio Nunes.

Os modelos econômicos evoluíram ao longo do tempo e o desenho de consórcios deu lugar a proprietários individuais e parcerias, ou condomínios, com envolvimento direto de usuários, diz Manuel Andrade, CEO da Padtec. A fabricante brasileira de sistemas óticos fornece tecnologia para o cabo Júnior, que conecta Praia Grande (SP) ao Rio de Janeiro e será operado exclusivamente pelo Google. A ativação está prevista para acontecer até o fim do ano.

O cabo Júnior terá interligação com o Monet, com 10,5 mil km, que conecta Praia Grande a Fortaleza (CE) e a Boca Raton, na Flórida (EUA). Construído em parceria entre Google, Angola Cables, Algar Telecom e a uruguaia Antel, o Monet entrou em operação em junho. O Google apostou ainda no Tannat, com 2 mil km de extensão, ligação entre Praia Grande e Maldonado, no Uruguai, que deve entrar em operação no ano que vem.

“A dinâmica do mercado mudou”, diz Eduardo Falzoni, CEO da Globenet. O interesse de OTTs chegarem diretamente ao usuário final substituiu a demanda de provedores de internet acessarem fornecedores de conteúdo, principalmente nos Estados Unidos. A operadora, controlada pelo BTG Pactual, dividirá com o Facebook a propriedade do Malbec, cabo com 2,5 mil km, três pares de fibra ópticas e ativação prevista para 2020, que conectará Rio de Janeiro, Praia Grande e Las Toninas, no litoral argentino. Segundo Falzoni, embora a Argentina seja um mercado grande, a conta entre a demanda e o investimento de US$ 80 milhões “não fecha”. “O Facebook é o parceiro ideal. Não tem problema de dinheiro e não é concorrente.”

O Facebook também participa de um condomínio com a Microsoft e a operadora Telxius em torno do Marea, com 6,6 mil km entre Estados Unidos e Europa. Por aqui, a Telxius, empresa do grupo Telefônica, aposta no modelo de propriedade exclusiva e opera o SAM-1, de 2001, iniciativa da Telefônica com 25 mil km que atravessa toda a América do Sul e o Caribe e chega aos Estados Unidos; o Unisur, entre Uruguai e Argentina; e o PCCS, no oceano Pacífico caribenho.

A nova iniciativa da Telxius é o Brusa, conexão entre Rio de Janeiro, Fortaleza, San Juan (Porto Rico) e Virginia Beach (Estados Unidos) com 11 mil km de extensão e oito pares de fibras ópticas. A empresa anunciou parceria com a provedora de datacenters Equinix para investimento em inovações na estação terrestre de Virginia Beach e conexão direta com grandes datacenters na região, detalha Rafael Martins, country manager da Telxius.

A aposta em interconexão é outra estratégia do segmento para aproximar provedores de internet. Em setembro a Globenet inaugurou um novo ponto de interconexão central (IPX) para o Centro de Informações da Rede Brasileira (Nic.br) em Fortaleza – a cidade já soma 12 cabos submarinos. “O ponto de troca de tráfego fornece a clientes regionais e de pequeno porte condições de chegar aos conteúdos da mesma forma que os grandes”, diz Falzoni, da Globenet. Outra parceria de interconexão – neste caso, entre redes terrestres de fibra ótica – une a Angola Cables e a Argentina Silica Netwworks, em operações na Argentina e no Chile.

A Seaborn, por sua vez, trouxe um novo modelo de propriedade e intenção de atuar com venda direta para o mercado financeiro para conexão de bolsas de valores, graças ao desenvolvimento da tecnologia que permite a posse de fibras por proprietários distintos. “Os consórcios não funcionam mais no mundo muito acelerado”, defende o diretor de desenvolvimento de negócios Marcos Martins Costa. Este mês a empresa celebra o primeiro aniversário do Seabras-1, que liga clientes como a Eletronet diretamente de São Paulo a Nova Iorque (EUA). Estão em curso ainda o ARBR, entre São Paulo e Buenos Aires, previsto para 2019; e o SABR, entre Brasil e Cidade do Cabo (África do Sul), para 2020.

Fonte: Valor Econômico

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