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Operadoras alternativas dinamizam o setor

Uma frente de inovação se dá no âmbito das redes LPWA, que conectam sensores em grandes áreas geográficas a um custo baixo

O segmento de operadoras alternativas que fornecem conectividade de internet das coisas (IoT) para diversos setores ganhou dinamismo no Brasil com a adoção de novas tecnologias e a entrada de novos concorrentes. Uma frente de inovação se dá no âmbito das redes LPWA (sigla em inglês para área ampla de baixa potência). Trata-se de estruturas que conectam sensores em grandes áreas geográficas a um custo mais baixo que o oferecido pelas celulares tradicionais. Segundo analistas da BI Intelligence em 2021 haverá no mundo 700 milhões de objetos conectados a redes de baixa potência.

No Brasil, redes LPWA que usam padrões proprietários emergentes, como Sigfox e LoRa, já operam em frequências não licenciadas com alcance de até 40 quilômetros no campo e terminais com baterias que duram até 20 anos, conforme a tecnologia. A expectativa é que esses padrões acelerem a adoção de IoT, porque atendem a muitas aplicações que só precisam transmitir pequenas quantidades de dados para cumprir seu propósito. Um exemplo é uso de sensores em milhares de vacas para monitoramento remoto da temperatura dos animais, com objetivo de saber o período mais propício à procriação. Isso não requer as altas taxas de dados das celulares – mais caras e não cobrem todas as regiões.

Alexandre Reis, diretor operacional da WND, prestadora que desde o ano passado opera no país rede nacional com padrão Sigfox, dá ideia da economia de custos: pacote Sigfox com o menor volume de conexões diárias custa US$ 0,50 por dispositivo, por ano. Já nas redes GPRS (geração 2,5 de celular), usadas para transmissões em megabytes, o custo por dispositivo é de US$ 2 por mês. Reis ressalta o caráter complementar da solução: o foco são aplicações não críticas que precisam de poucos bytes. As que exigem grande volume de dados continuam atendidas pelas celulares. A WND espera chegar ao fim de 2019 com 20 milhões de dispositivos conectados.

O aquecimento do mercado também se reflete entre as operadoras móveis virtuais (MVNOs), que usam espectro de celular parceira para oferecer serviços de conectividade máquina a máquina (M2M). Este ano, o segmento ganhou concorrente de peso, a T-Systems, do grupo Deutsche Telekom. A novata usa rede da Claro. “Obtivemos licença em setembro de 2017, e em janeiro já estávamos com nosso primeiro cliente 100% operacional, no setor automotivo”, diz Pablo Guaita, diretor de projetos estratégicos da T-Systems. A oferta inclui aplicativo IoT Service Portal, uma espécie de cockpit por meio do qual empresas gerenciam seus ativos de M2M no mundo.

Outra iniciante é a Vecto Mobile, que começou a atuar como MVNO em agosto de 2017 e já tem 32 clientes. Segundo Gerson Rolim, diretor de inovação da Vecto a demanda cresce mais no campo. “Nossos sensores captam informações como temperatura, umidade e acidez do solo e, por meio de SimCard, envia os dados para nuvem onde inteligência artificial gera predições. Usando smartphone ou notebook, o cliente acessa as informações para tomar decisões sobre melhor momento para semear, aplicar defensivos ou colher”. A fazenda de café Quintas da Serra, em Amparo (SP), usa a solução. “A expectativa é elevar a produtividade entre 8% e 11%”, diz.

Em seu segmento, Vecto e T-Systems concorrem com empresas como Porto Seguro Conecta e Datora, já consolidadas no mercado com grande base de terminais M2M em setores variados. As duas crescem de forma expressiva. Em 2017, a base da Conecta aumentou 24%, e a da Datora, 99%, segundo a Teleco. Marcelo Picanço, diretor geral da Conecta, diz que a meta é crescer sem perder o perfil de nicho. Na Datora, parceira da Vodafone, Daniel Fuchs, diretor de inovação, vê a demanda se multiplicar em áreas como logística, rastreamento, agricultura, saúde e carro conectado. “Um veículo importado já pode usar a conectividade local de forma automática, eliminando custos operacionais com troca de SimCard”, ilustra.

Fonte: Valor Econômico

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