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Oi reduz dívida, mas perde receita

Apesar dos resultados desfavoráveis, a operadora sinalizou ao mercado uma melhoria no seu desempenho nos segmentos de B2B (vendas empresariais) e telefonia móvel.

A Oi apresentou redução superior a 84% em sua dívida financeira líquida no primeiro trimestre de 2018, como resultado da reestruturação de débitos prevista em seu plano de recuperação judicial, mas a receita e a base de clientes da companhia encolheram no período. Apesar dos resultados desfavoráveis, a operadora sinalizou ao mercado uma melhoria no seu desempenho nos segmentos de B2B (vendas empresariais) e telefonia móvel.

A Oi fechou os primeiros três meses do ano com lucro líquido de R$ 30,54 bilhões. O resultado bilionário – muito superior ao valor atual de mercado da companhia (atualmente em R$ 2,7 bilhões) – foi meramente contábil. Na verdade, reflete uma redução de R$ 40,3 bilhões na dívida líquida financeira em relação ao montante devido pela companhia no fim do ano passado. Com a redução de 84,6%, a dívida caiu para R$ 7,3 bilhões no fim de março, de acordo com as demonstrações financeiras da Oi divulgadas ontem.

Nos primeiros três meses do ano, a receita líquida consolidada, considerando as operações no Brasil e no exterior, somou R$ 5,6 bilhões. O total representou diminuição de 8,7% ante o faturamento líquido de R$ 6,1 bilhões registrado no mesmo período de 2017. Excluindo-se as operações internacionais, a queda foi de 7,3%.

A receita líquida da Oi recuou em todos os segmentos de negócio no primeiro trimestre de 2018, em função do corte de tarifas reguladas de interconexão e de ligações de fixo para móvel, da queda no tráfego de voz e da diminuição no volume de recargas no pré-pago. O cenário macroeconômico ainda em recuperação também contribuiu para o menor faturamento.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de rotina consolidado totalizou R$ 1,57 bilhão entre janeiro e março deste ano, montante 8,8% inferior ao obtido em igual período de 2017 (R$ 1,72 bilhão). “No quarto trimestre, reportamos um patamar de Ebitda abaixo do histórico e explicamos que foi em função de ajustes sazonais. Neste trimestre, sem esses efeitos, o Ebitda de rotina retornou ao patamar em linha com o plano de recuperação judicial”, destacou o diretor financeiro e de relações com investidores da Oi, Carlos Augusto Brandão. O executivo reiterou que está mantido o compromisso da empresa de fechar 2018 com um Ebitda de R$ 6,1 bilhões, conforme estabelecido no laudo financeiro-econômico anexado ao plano de recuperação.

Também permanece inalterada a previsão para a conversão de dívida em participação acionária pelos credores. “Continuamos trabalhando para efetivar a conversão dos bonds [títulos da dívida] nas próximas semanas”, disse o diretorpresidente da Oi, Eurico Teles, em teleconferência com analistas.

Na teleconferência, o diretor financeiro destacou que já é possível identificar sinais favoráveis nos mercados de B2B e de telefonia móvel. Entre janeiro e março, a receita líquida de serviços no B2B caiu 0,8% frente o quarto trimestre de 2017. “O primeiro trimestre, que historicamente tem sido um dos piores do B2B em função da menor quantidade de dias úteis, já começou a mostrar uma indicação de estabilidade da receita”, argumentou o executivo, baseando-se na comparação com os percentuais registrados nos últimos trimestres. “Além disso, tivemos em março um resultado de vendas líquidas maior que toda a média mensal de 2017.”

No segmento de telefonia móvel, Brandão destacou o número de adições líquidas (diferença entre entrada e saída de clientes da base) de assinantes pós-pagos alcançado pela Oi em abril: 72 mil, o maior dos últimos 18 meses.

No fim de março, a base de clientes da companhia no país era de 59,21 milhões, o que significa um decréscimo de 0,8% frente aos três últimos meses do ano passado e de 6,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2017. No segmento residencial, o destaque positivo foi o serviço de TV paga, cuja base de assinantes aumentou 13,3% em termos anuais, fechando março com um total de 1,51 milhão de usuários. Como parte da estratégia para proteger sua base de clientes da concorrência, a Oi informou que planeja iniciar em junho a oferta do serviço de dados móvel 4,5G em Salvador e Fortaleza, alcançando 22 cidades de grande porte até o fim do ano.

Fonte: Valor Econômico

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