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Novo consumidor brasileiro quer preço, política e igualdade

Crise econômica pode ser oportunidade de conhecer melhor o cliente

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A crise econômica, que tem tirado o sono dos varejistas, pode ser oportunidade de conhecer melhor o cliente. De acordo com estudo da consultoria Mintel, o perfil do consumidor está mudando. Mais atentos, eles buscam preço, prezam por ações sustentáveis e se envolvem com política.

Nesse cenário, quem estiver antenado com as tendências sairá na frente. O estudo “Brasil – Tendências de consumo” classifica o novo consumidor brasileiro em quatro frentes: ‘Heróis da Pechincha’, ‘Sede por Mais’, ‘Ocupe Brasil’ e ‘Famílias Alternativas’.

Segundo a analista de Tendências da Mintel, Graciana Méndez, o número de brasileiros que buscam bons negócios para formalizar a aquisição é um dos que mais vai crescer, e esse é o consumidor chamado de ‘Heróis da Pechincha’. “Com a alta da inflação em 2015, os consumidores brasileiros procuram modelos alternativos de compra e de como usufruir de produtos, como compartilhamento, aluguel e troca. Alugando um quarto na casa de alguém nas férias ou roupas de grife permite, por exemplo, que eles ainda desfrutem de alguns pequenos luxos sem precisar gastar tanto”, disse ela.

Esses novos modelos de compra, explica Graciana, ainda passam por uma fase inicial, mas têm o objetivo de fornecer um melhor controle financeiro do brasileiro. “É preciso mostrar que o cliente pode ter a mesma emoção que uma operação tradicional, mas sem o alto custo”.

Entre os destaques deste tipo de operação, a analista ressalta o aluguel de roupas e acessórios. “A moda, especificamente com seus serviços de aluguel, é uma indústria onde temos visto essas novas ideias florescerem. Em 2016, as marcas de acessórios poderiam oferecer esquemas de aluguel e troca de joias, óculos, sapatos e bolsas. Como as pessoas se tornam mais atraídas por novos modelos de compra, as marcas que facilitarem essa forma de consumo em 2016 vão se sobressair”, disse.

Sede por mais

À medida que o País luta contra a recessão – depois de uma década de ouro para o varejo – questões ambientais começam a pesar na hora da decisão de compra. “O Brasil sofre sua pior seca das últimas décadas, o que incentiva os consumidores a procurarem por soluções sustentáveis”, diz Graciana.

Um exemplo disso são as luzes de LED, que economizam energia. O modelo de produto, que ganhou atenção dos brasileiros durante o racionamento em 2001 continua firme, mesmo com a retomada das hidrelétricas. “Uma pesquisa da Mintel revelou que 39% dos brasileiros são atraídos por comprar de empresas que não agridem o ambiente, o que abre oportunidades para as marcas se posicionarem como impulsionadoras de mudanças positivas e ganhar o apoio dos clientes”.

Outra tendência são as empresas que exploram a reciclagem como ‘moeda’. “A marca uruguaia de roupas Mutma permite que os clientes paguem até 40% de suas peças usando garrafas PET. À medida que os benefícios pessoais das alternativas ecológicas fiquem mais claros para os consumidores, elas vão ser adotadas”, detalha.

No Brasil, um bom exemplo da aceitação de ações sustentáveis, quando aliada a preços competitivos, é a Gentleman Store. A empresa, que é focada em presentes masculinos, trabalha com uma entrega dos produtos diferenciada: além dos modos tradicionais, a encomenda pode chegar de metrô. “Estudamos todas as solicitações dos clientes, apuramos todos os comentários, sugestões e críticas, pensando sempre em melhorar”, explica um dos proprietários da Gentleman Store , Henrique Fernandes.

Quem também alia uma marca forte com ações sustentáveis é o Banco Itaú, que espalha bicicletas em todo o País com o objetivo de exaltar o transporte.

Ocupe Brasil

A crescente atenção do brasileiro com questões como corrupção, crise e desvio de dinheiro público também precisam ser refletidas pelas marcas. As empresas que apostarem na busca por boas práticas, terá mas força. “Enquanto os brasileiros estão nas ruas protestando contra a falta de água, a corrupção, os gastos públicos e os aumentos de preços, as marcas ganham notoriedade, alinhando-se com a busca dos consumidores por práticas justas”, diz Graciana. .

Nesse caso, as empresas que possuem boa relação com o cliente, atendem as demandas com agilidade e se mostram preocupadas com o bem estar do cliente saem à frente. Dessa forma, explica a analista da Mintel, é imprescindível que as empresas, com o objetivo de ganhar a credibilidade dos consumidores, façam da transparência o seu principal objetivo. “Nesse cenário de politização, vamos ver corporações assumindo papéis não tradicionais, como a operadora de telecomunicações Oi que apoia a iniciativa Cinema sem Teto”.

Famílias Alternativas

Outra tendência que veio para ficar é a forma como os brasileiros vivem juntos e criam laços. Com novas estruturas de famílias, as empresas precisam se colocar disponível para vendas em estruturas que vão além das tradicionais “As novas dinâmicas domésticas desafiam ideias estereotipadas – relacionadas a gênero, idade e etnia – sobre a definição de família, e os papéis individuais estão sendo redefinidos”, defende.

Nessa linha de pensamento, marcas que não apenas apoiem, mas se coloquem a favor das diferentes concepções de família tendem a ser mais queridas. “O não convencional tornou-se o novo tradicional. Como os consumidores estão mais conscientes das famílias não tradicionais, os brasileiros vão prestar mais atenção nas marcas que apresentam as várias dinâmicas do ‘novo normal'”.

Um bom exemplo visto esse ano é a marca brasileira UMA, que apresentou uma coleção unissex na São Paulo Fashion Week. “As ações que suportam as necessidades de uma população cada vez mais diversificada ganharão impulso em 2016”

Fonte: DCI

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