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Mineração impulsiona vendas de dispositivos

Processo movimenta o mercado mundial de componentes de computadores


O interesse nas criptomoedas está impactando o mercado mundial de componentes de computadores. A mineração de moedas digitais já responde por perto de 10% dos resultados de fabricantes como AMD e Nvidia, com forte impacto nos preços. A chinesa Bitmain, fornecedora de dispositivo específico para a mineração de bitcoins, superou US$ 2,5 bilhões em receita menos de três anos depois de vender seu primeiro modelo e a expectativa é que a Samsung entre no mesmo ramo ainda em 2018.

O processo de mineração é na prática a solução dos cálculos sofisticados para encontrar as chaves criptográficas que suportam as moedas digitais e validar as transações na rede de blocos (blockchain). Isso exige enorme poder computacional e equipamentos potentes.

A mineração de bitcoins é feita por meio de máquinas especializadas, as ASICs (circuitos integrados de aplicação específica, na sigla em inglês), desenhadas para cumprir tarefa única e otimizar sua capacidade. Outras moedas, como ethereum, são “mineradas” por equipamentos que empregam placas gráficas (GPUs), criadas para aguentar tarefas como a mistura de imagens em movimento é lógica por trás dos videogames.

A mineração de criptomoedas é tema de anúncios de resultados financeiros de fabricantes desde o ano passado. A taiwanesa TSMC, maior fabricante independente de semicondutores do mundo e fornecedora de marcas como Apple, Qualcomm e Bitmain, colocou a mineração como um dos motivos para o crescimento de 17,5% no terceiro trimestre de 2017. A Nvidia, uma das líderes mundiais no segmento de GPUs, lançou no ano passado duas placas gráficas destinadas à mineração e anunciou em maio que a atividade de mineração respondeu por US$ 289 milhões, ou 9% dos US$ 3,21 bilhões de receita registrados no primeiro trimestre

A AMD, por sua vez, reportou 10% de participação do segmento na receita de US$ 1,65 bilhão no mesmo período. O interesse dos mineradores fez o preço subir e esgotou os estoques disponíveis para usuários tradicionais, como os gamers. Outros fornecedores, como as fabricantes de placas-mãe Asus, Biostar e Gigabyte, também criaram produtos específicos para a mineração. A Asus, por exemplo, anunciou para este ano o lançamento da H370, capaz de suportar até 20 GPUs em uma só unidade. Mas a chinesa Bitmain é o destaque do segmento.

A empresa vendeu seu primeiro chip especial para mineração em 2013. Com os algoritmos necessários codificados diretamente no silício, eles eram mais rápidos e usavam menos eletricidade que as GPUs. Hoje a Bitmain é a maior mineradora mundial de bitcoins do mundo, com cerca de metade do poder de processamento da rede. Seus equipamentos Antminers são caixas do tamanho de um servidor, que custam até milhares de dólares – os dois outros fabricantes especializados existentes no mundo produzem equipamentos unicamente para consumo próprio.

Os fabricantes, entretanto, já indicam a tendência de reacomodação do mercado. A Nvidia, mesmo tendo aumentado sua produção para enfrentar o desabastecimento e a alta de preços provocados pelo interesse dos mineradores, anunciou que as vendas destinadas às criptomoedas devem cair cerca de dois terços nos resultados do segundo trimestre de 2018. Mesmo a Bitmain já divulgou planos de diversificação e começa a vender chips ASIC projetados para aprendizado de máquina. A estimativa é de obter até 40% de sua receita com o segmento de inteligência artificial em até cinco anos.

Fonte: Valor Econômico

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