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Mercado vê fim de queda da Selic

Maioria espera redução de 0,25 ponto na taxa e acredita que será último corte

A euforia vista nos mercados financeiros logo após o julgamento do ex-presidente Lula, que confirmou sua condenação, não influenciou as expectativas para o rumo da política monetária. No mercado futuro de juros, os investidores ampliaram as fichas na aposta de que o BC ainda poderá estender o corte da taxa básica para além de fevereiro. Mas, entre os economistas, esse evento não alterou os cenários e a maioria espera que o Copom encerre, na reunião desta semana, o ciclo de alívio monetário iniciado em outubro de 2016. Será a 11ª baixa seguida da Selic.

Dos 47 economistas consultados pelo Valor, 43 acreditam que o comitê irá cortar a taxa em 0,25 ponto na reunião que termina no dia 7. Só uma casa espera um corte mais forte, de 0,5 ponto, enquanto outras três acreditam que a Selic permanecerá no atual nível, de 7%.

Para o fim de 2018, 23 entrevistados esperam que a taxa permaneça em 6,75% e 16 acreditam que a taxa ficará em 6,50%. Dois entrevistados veem o juro em, pelo menos, 7%. Outros seis já trabalham com a possibilidade de haver alta de juros ainda neste ano.

Um cenário de inflação ainda benigno, comprovado não apenas pelos índices, mas, sobretudo, pelos núcleos dos indicadores, sustenta a expectativa de que o BC terá espaço para mais um corte de juros em fevereiro. Para muitos analistas, a autoridade monetária ainda não deixará indicado que o ciclo vai acabar. No Bradesco, por exemplo, a visão é de que há 40% de chance de haver um novo corte em março, ainda que o mais provável seja que o ciclo se encerre em fevereiro. Assim, o juro deve permanecer em 6,75% até o primeiro trimestre de 2019.

Logo após a decisão do TRF-4 de condenar Lula, alguns analistas e agentes de mercado chegaram a considerar que, dada a relevância desse evento para o cenário eleitoral, haveria espaço para o BC prosseguir com o corte de juros, pelo menos, até março. Isso por causa do impacto que essa redução de incertezas poderia ter sobre o câmbio. “Caso o julgamento do Lula acarrete um fortalecimento das forças de centro e tal fato seja suficiente para conseguir a aprovação da reforma da Previdência, há a possibilidade maior da taxa terminal ser de 6,5%. Essa seria a influência direta e de curto prazo”, diz Fernando Rocha, economista da JGP.

De fato, a curva de juros futuros, que já descartava essa hipótese, voltou embutir 30% de chance de haver uma redução de 0,25 ponto no encontro do mês que vem. Mas a queda do dólar ante o real acabou sendo muito mais moderada do que se previa inicialmente, em parte porque as incertezas seguem no radar. Ainda que Lula tenha pouca chance de se candidatar, há muitas dúvidas sobre quem será o nome forte da centro-direita que garantirá a continuidade das reformas, como deseja o mercado. Na semana passada, com a mudança de perspectiva de política monetária pelo Fed, o dólar voltou a subir, deixando para trás o efeito Lula.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, a taxa de juros já está bastante estimulativa para garantir que o IPCA fique próximo ao centro da meta este ano e em 2019. Por isso, a especialista acredita que o juro vai ficar em 7% até o fim deste ano. “Esperamos que o próximo comunicado e a ata sinalizem uma expectativa de que o ciclo de afrouxamento monetário muito provavelmente esteja já encerrado”, afirma. “O atual estágio do ciclo recomenda mais cautela na condução da política monetária”.

Para Thomaz Sarquis, da Eleven Research, o Copom deveria manter a Selic em 7%, mas provavelmente irá reduzir a taxa a 6,75%. “Além de já observarmos a inflação com clara tendência à meta, uma Selic excessivamente baixa pode expor a economia a riscos desnecessários”, explica. E assim se manterá ao longo do ano, diz. Para a última reunião de 2018, o economista espera uma alta de 0,25 ponto e, para 2019, graduais aumentos na Selic.

Fonte: Valor Econômico

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