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Mercado de smartphones se retrai em 2018

Consumidor tem menos interesse em trocar seus aparelhos antigos por modelos mais novos

As vendas de smartphones apresentaram o primeiro ano completo de queda em 2018, recuando 4%, para 1,49 bilhão de unidades. Apenas no quarto trimestre, foram 395 milhões de aparelhos vendidos pelos fabricantes, 7% a menos que no mesmo período de 2017, marcando o quinto trimestre consecutivo de encolhimento nas vendas.

O desempenho negativo do mercado é um reflexo do menor interesse dos consumidores em trocar seus aparelhos antigos por modelos mais recentes em países como Estados Unidos, China e na Europa Ocidental.

“Os fabricantes têm tentado alavancar as vendas por meio da adição de recursos como a inteligência artificial, a inclusão de várias câmeras, telas que ocupam toda a extensão do aparelho, sensores biométricos incorporados à tela, entre outros, mas os consumidores têm ficado com seus aparelhos por mais tempo por conta da falta de grandes inovações e dos preços mais altos dos equipamentos”, disse Tarun Pathak, diretor da empresa de pesquisa Counterpoint Research, em relatório.

Perguntada sobre dados específicos do Brasil, a Counterpoint informou que só terá as informações no fim de fevereiro. No acumulado até o terceiro trimestre, o país apresentava uma queda de 5%, com 35,6 milhões de unidades vendidas, segundo a empresa de pesquisas IDC. A pior retração ocorreu no terceiro trimestre, 7%. Mas nos períodos anteriores o mercado também encolheu: 1,8% entre janeiro e março e 5,5% de abril a junho.

A queda no mercado foi o fator que mais pesou para o fraco resultado apresentado pela Samsung. No balanço do quarto trimestre divulgado na madrugada de quinta-feira, a companhia registrou um tombo de 31% em seu lucro líquido, para 8,4 trilhões de wons (US$ 7,6 bilhões). A receita encolheu outros 53%, para 59,3 trilhões de wons.

A fabricante, que se mantém como a maior vendedora de smartphones no mundo mesmo tendo perdido um ponto de participação em 2018, para 19% do total, sofre duplamente com o atual cenário. Com a menor demanda, além de perder encomendas de seus próprios aparelhos, ela também deixa de vender componentes como memórias e telas para outras marcas. O que puxa seu resultado ainda mais para baixo.

A companhia marcou para 20 de fevereiro um evento de lançamento da nova geração da linha Galaxy, o S10. A expectativa é que na ocasião seja apresentada uma versão com tela dobrável.

De acordo com Pathak, ao longo de 2019 os fabricantes vão se concentrar em colocar no mercado novidades como conexão às redes 5G, telas dobráveis e câmeras que não tomam espaço na tela frontal. As marcas chinesas (Huawei, Oppo, Vivo e Xiaomi, que a Counterpoint chama pela sigla HOVX) terão um papel de protagonismo no lançamento dessas tecnologias, tornando a disputa por participação de mercado ainda mais difícil. Elas têm buscado mais espaço fora de suas fronteiras por conta da desaceleração do mercado local.

A avaliação de Pathak é que, ao longo de 2019, a Huawei assuma a segunda posição em vendas de smartphones, passando a Apple. As companhias terminaram 2018 empatadas com 14% do mercado – com a Apple tendo vendido apenas 1 milhão de aparelhos a mais que a Huawei, com 206,3 milhões de unidades. O que pode afetar essa movimentação é uma eventual sanção dos Estados Unidos por conta das acusações de espionagem contra a companhia.

Para Ryan Reith, vice-presidente da IDC, a tendência de retração no segmento deve permanecer ao longo de 2019, já que fatores como incertezas políticas, o alto nível de uso de smartphones em vários mercados e as questões de preço e ciclos de troca mais longos continuam a pesar. “Globalmente, o mercado está uma bagunça no momento. Com exceção de alguns poucos mercados de alto crescimento como Índia, Coreia, Indonésia e Vietnã, nós não vimos muita atividade positiva em 2018”, escreveu em relatório.

Fonte: Valor Econômico

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