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Medo da recessão prolongada volta ao radar dos investidores

Desde o vazamento da notícia da delação do empresário Joesley Batista, a incerteza explodiu

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O aprofundamento da crise política ameaça abortar a frágil recuperação da economia brasileira e acentuou o risco de prolongamento da recessão, que parecia ter ficado para trás.

Sinais incipientes de recuperação eram considerados auspiciosos, embora ainda cercados por dúvidas.

Desde o vazamento da notícia da delação do empresário Joesley Batista, a incerteza explodiu. Segundo economistas, antes de um desfecho para a crise, qualquer projeção de cenário se tornou extremamente arriscada.

“Os ventos, agora, parecem contra a recuperação que ainda era muito tímida”, diz Robert Wood, analista-chefe da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU).

O desdobramento considerado menos prejudicial à economia é o de que um eventual sucessor do presidente Michel Temer mantenha tanto a equipe econômica quanto a agenda do atual governo.

Na lista de prioridades, a proposta de reforma da Previdência, em tramitação no Congresso, é considerada a mais importante.

Isso porque, sem ela, a gradativa arrumação das contas públicas prevista para os próximos dez anos cai por terra, comprometendo as perspectivas de crescimento do Brasil no médio prazo.

“A reforma da Previdência não teria impacto fiscal no curto prazo, mas a percepção de que ela seria aprovada estava mudando o humor de investidores em relação ao Brasil”, afirma Wood.

A aposta de economistas era a de que essas expectativas positivas trariam investimentos de volta e, com isso, o crescimento econômico aumentaria gradualmente.

No entanto, segundo analistas, sem a perspectiva de redução da despesa do governo com as aposentadorias, as projeções para o deficit fiscal —que vinham caindo— tendem a voltar a subir.

Nesse cenário negativo, investidores podem vender títulos da dívida pública, puxando para cima os juros de longo prazo no mercado. O dólar também entraria em trajetória acentuadamente ascendente, aumentando as expectativas de inflação.

O resultado seria um aumento no custo de financiamento do governo —com a alta dos juros no mercado futuro—, levando a uma piora dos seus indicadores de solvência, como a relação entre a dívida pública e o PIB (Produto Interno Bruto).

Sem reformas, a alternativa do governo para tentar reduzir esses riscos seria o corte de outros gastos ou o aumento de impostos. Medidas nessa linha, no entanto, acentuariam a recessão.

Por isso, economistas acham que, embora incerta, a chance de que um eventual novo governo mantenha o comprometimento com as reformas propostas por Temer seria a saída mais racional.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, diz que a fragilidade da economia não permite que a classe política evite as reformas. Ela espera que haja pressão do setor privado pela manutenção do cronograma de ajuste.

A economista ressalta que, embora a crise política tenha paralisado as discussões sobre reformas em Brasília, a alternativa seria o colapso.

“Não acho que a chance de aprovação das reformas na Câmara hoje seja zero”, afirma. “Mas também não descartamos o cenário do colapso, sem as reformas e com todas as consequências negativas que isso teria.”

Fonte: Folha de S. Paulo

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