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Marcas e varejo negociam reajuste após leve retomada

Momento econômico atual abriu terreno para negociações de reajustes de preços entre lojistas e indústrias de consumo

varejo de eletrodomésticos

A breve retomada nas vendas do varejo, entre abril e maio, abriu terreno para negociações de reajustes de preços entre lojistas e indústrias de consumo, como Whirlpool e Electrolux. O ritmo ainda lento dessa recuperação não impediu que as tabelas com reajustes de eletrodomésticos fossem apresentadas e, parte delas, já repassadas aos produtos. Os aumentos propostos chegam a 5%.

A reportagem apurou nos últimos dias, com fontes ligadas a redes e fabricantes de linha branca (refrigeradores, lavadoras de roupas, micro-ondas), que os aumentos nas tabelas começaram a ser negociados nos últimos quatro meses. Em alguns casos, já foram repassados, em outros, ainda estão sob discussão, segundo uma fonte a par do assunto.

A expectativa de melhora do mercado animou a indústria após o início do ano e acabou abrindo espaço para que alguns varejistas dessem sinal verde aos aumentos. A informação de que as fábricas não faziam reajustes há cerca de um ano tem pesado favoravelmente aos fabricantes.

Segundo um diretor de uma rede de São Paulo ouvida ontem, os aumentos já negociados acabaram se mostrando um “tiro no pé”.

“Negociamos num momento um pouco melhor do mercado e as empresas nos mostraram que tinham absorvido, por meio de ganhos de produtividade, parte das pressões. O problema é que o mercado voltou a piorar em junho, e os reajustes foram chegando ao consumidor. Então não foi a melhor hora”, disse ele.

Dados publicados nesta semana pelo IBGE mostram essa mudança de cenário. De janeiro a março, a produção de linha branca subiu 2,2%, mas o movimento se inverteu no acumulado dos cinco primeiro meses do ano, fechando em queda de 1,8%.

Os dados mostram o volume crescendo menos que a receita, o que pode refletir os reajustes. De janeiro a abril, o volume vendido de eletrodomésticos no país subiu 0,5% e a receita nominal aumentou 5,5%, segundo o IBGE.

Há, pelo menos, dois movimentos encabeçados hoje pela Whirlpool e Electrolux – Esmaltec e Atlas também participam das conversas, apurou o Valor.

Num grupo que envolve algumas redes de médio porte, aumentos de 1% a 1,5% foram sendo apresentados após fevereiro, conta um diretor de uma rede, e efetivamente repassados ao consumidor entre abril e maio.

Mas novas tabelas com outros preços ainda podem ser apresentadas na segunda metade do ano, porque esse reajuste não seria o bastante para repassar a elevação de certos insumos, como aço (desde o ano passado) e resina.

Há ainda outro grupo de varejistas, líderes do mercado, que estão nesse momento negociando aumentos de até 5%. As conversas começaram há 45 dias, diz uma fonte. Este não deve ser o reajuste final – pelo menos uma cadeia já informou que será preciso diminuir esse patamar. Neste caso, não haveria uma segunda rodada de aumentos no próximo semestre.

O Valor apurou que Ricardo Eletro, Cybelar, Lojas Cem e Casas Bahia já receberam pedidos de aumentos – Cybelar e Lojas Cem repassaram ao consumidor.

Os presidentes mundiais da Whirlpool e da Electrolux, as duas das maiores fabricantes de eletrodomésticos do país, já tinham acenado, em conversas públicas recentes com analistas estrangeiros, que promoveriam aumentos de preços no mercado brasileiro, em parte, num movimento para recuperar ou proteger rentabilidade.

“Nós estamos em alguns mercados como o Brasil, e em alguns outros, onde temos um nível maior de inflação [nos preços dos insumos]. Isso exige que tomemos aumentos de preços baseados em custos”, disse semanas atrás para analistas o presidente mundial da Whirlpool, Jeff Fettig. Em 2016, as vendas da empresa (incluindo Embraco) caíram 1,8% no país. O lucro dos controladores subiu 8,7%.

O executivo Jonas Samuelson, presidente da Electrolux no mundo, chegou a mencionar em encontro com analistas, três meses atrás, que a demanda no Brasil, apesar de ainda continuar em fraco patamar, começava a mostrar uma queda “num ritmo substancialmente menor”.

Em outra ocasião, em maio, ele disse que a empresa estava trabalhando para voltar a patamares de margens históricos no Brasil, mas isso poderia levar a reposicionamentos de preços, segundo analistas que estiveram no encontro com o CEO. É um movimento que ocorre após a Electrolux sentir um forte declínio em suas vendas, superior a média do mercado, disse Samuelson, porque o “maior cliente da empresa [no país] fez reduções no seu inventário” no fim de 2016, afetando a empresa. A companhia não mencionou o nome da varejista.

As empresas alegam que as pressões em custos envolvem aumento em insumos como resina e aço (neste caso, especialmente em 2016). Na virada do ano, produtores de aços planos comunicaram reajustes de preços na faixa de 8% a 10% para as indústrias compradoras, como as de automóveis e eletrodomésticos.

Procurada, a Whirlpool preferiu não comentar a questão dos reajustes. A Electrolux informa que “por política, não comenta sobre estratégias comerciais da companhia”. A Atlas não se manifestou e a Esmaltec não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Fonte: Valor Econômico

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