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Magazine Luiza prevê maior investimento desde seu IPO

Soma deve atingir R$ 250 milhões; aberturas de lojas podem chegar a 100

Frederico Trajano

Grupo varejista que tem sido o destaque da bolsa nos últimos anos, o Magazine Luiza tem plano de investimento de R$ 250 milhões em 2018, segundo a companhia – a média anual tem ficado em torno de R$ 160 milhões, segundo dados de balanço. Se atingir os R$ 250 milhões, será o maior valor investido pela varejista desde a sua abertura de capital, quase sete anos atrás.

Os recursos devem ser aplicados basicamente em novas lojas, tecnologia e num projeto de expansão da área de armazenagem dos pontos. O montante projetado para 2018 deverá ser pouco mais de 40% superior ao desembolsado no ano passado. Em 2017, o valor deve girar entre R$ 170 milhões e R$ 180 milhões, com base em projeções de analistas – a empresa ainda não divulgou a soma. Até agora, o ano recorde de investimentos é 2011, quando o desembolso somou R$ 210 milhões.

“É um valor substancialmente maior considerando a melhora do ambiente econômico e os resultados que temos atingido. Temos uma situação de caixa confortável, zeramos dívida”, disse ontem Frederico Trajano, presidente da rede. “Há um ambiente econômico mais favorável e temos a Copa do Mundo, que tem efeito sobre nosso mercado. Estou otimista, especialmente com a primeira metade do ano”.

Em setembro, a empresa captou R$ 1,14 bilhão em uma oferta primária de ações (em que os recursos vão para o caixa da rede), mas o efeito da captação deve aparecer no balanço do quarto trimestre a ser divulgado. Antes da oferta, o endividamento líquido ajustado (inclui recebíveis) era de menos de R$ 30 milhões.

Apesar da crise que afetou duramente o varejo, a rede acumula crescimento nas vendas acima do setor, por meio da expansão do site e pela ocupação de mercados onde a concorrência diminuiu (como no Nordeste, com o encolhimento da Máquina de Vendas).

O Valor apurou que, para 2018, há um plano de abertura de 100 pontos de venda. O volume só é menor que o projetado em 2011, quando 124 pontos foram abertos (destes 124, 100 vieram da compra da rede Baú naquele ano). O grupo não confirma o número de 2018.

Em 2017, foram 60 unidades abertas. Com base nos gastos por loja, calcula-se que mais da metade dos recursos de 2018 serão aplicados em inaugurações, que têm peso na estratégia de “marketplace” (shopping virtual) do grupo e de oferta de diferentes canais ao cliente – ao contrário de concorrentes que são puramente digitais, como Amazon e Mercado Livre. A Via Varejo (dona de Casas Bahia e Ponto Frio) já anunciou previsão de 70 a 80 aberturas em 2018.

O Magazine Luiza se prepara para o evento chamado “Liquidação Fantástica”, na sexta-feira 05.01, com 7 milhões de itens em estoque e expectativa de vender 1 milhão deles, segundo Trajano. O número equivale a 20 dias de venda. A projeção é vender pelo menos 20% mais, em volume, que na edição de 2017.

“O estoque baixou muito na Black Friday, principalmente da linha de imagem, e antecipamos a compra em dezembro de muitos produtos para que estivéssemos prontos em janeiro”, diz Trajano. A liquidação tem sido uma espécie de termômetro do ano da rede.

“Em 2017, foi a melhor da história, antecipando uma expectativa nossa de que a recuperação econômica poderia estar em andamento, como de fato aconteceu”, diz. “Para 2018, achamos que o evento deve confirmar o processo de retomada”. Trajano acredita que a segunda metade do ano pode ser mais difícil que a primeira, em parte, por causa das eleições.

Para a liquidação deste ano, funcionários foram contratados de forma intermitente, segundo as novas regras da lei trabalhista.

Fonte: Valor Econômico

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