Portal Eletrolar.com

Notícias

Lucros no varejo crescem 16%

A queda na taxa básica de juros deu fôlego às companhias de varejo e consumo no primeiro trimestre, diminuindo a pressão das dívidas sobre os resultados. Levantamento do Valor Data a partir dos balanços de 25 empresas do setor mostra que o lucro líquido cresceu 16,6%, para R$ 4,2 bilhões


A queda na taxa básica de juros deu fôlego a varejistas e fabricantes de bens de consumo no primeiro trimestre, diminuindo a pressão das dívidas sobre os resultados. Levantamento do Valor Data , feito a partir dos balanços de 25 empresas divulgados até agora, mostra que o lucro líquido cresceu 16,6%, para R$ 4,2 bilhões – R$ 600 milhões a mais que o apurado nos três primeiros meses de 2017. As despesas financeiras somadas caíram 26,2%.

Esse movimento se mostrou fundamental para as companhias de consumo, em um momento no qual a demanda apresentou uma retomada mais lenta que o mercado projetava. O crescimento das vendas foi desigual nos meses de janeiro, fevereiro e março, e não foi generalizado em todos os segmentos. Somada, a receita líquida das 25 companhias analisadas cresceu 9,3%, para R$ 68,3 bilhões, com velocidade menor que o lucro.

Boa parte dos executivos e empresários do setor descreveu, nas teleconferências a analistas, um consumidor ainda cauteloso, que precisa fazer escolhas para administrar o orçamento. Eugênio De Zagottis, diretor de planejamento corporativo e relações com investidores da Raia Drogasil, maior grupo de farmácias do país, disse no início do mês que parte do consumo das drogarias migrou para outros segmentos, como o de bens duráveis e semi-duráveis.

A Natura, líder em produtos de higiene e beleza, registrou aumento de apenas 0,8% na receita no Brasil no trimestre. A Ambev, que detém quase 70% do mercado de cerveja, teve queda de 8% nas vendas em volume.

Há sinais de que a oferta maior de crédito à pessoa física, que subiu 10% no primeiro trimestre em relação a um ano antes, segundo o Banco Central, contribuiu para a migração mencionada por Zagottis. “O cenário de 2018 para o varejo está melhor porque o juro caiu”, disse ao Valor Luiza Trajano, presidente do conselho da varejista de eletroeletrônicos Magazine Luiza. “O desemprego ainda é alto, mas parou de piorar, pelo menos. O importante é que o valor da prestação caiu”, afirmou.

Durante a recessão que durou quase três anos no país, o varejo de bens duráveis foi o primeiro a sentir a retração. Mas, com o aumento gradual na liberação de crédito ao consumo neste ano, o cliente está voltando às lojas do setor. As vendas do Magazine Luiza cresceram 29% no trimestre, puxadas também pela estratégia de reunir em uma mesma plataforma de negócios as vendas feitas pela internet e nas lojas físicas. Na concorrente Via Varejo, dona de Casas Bahia e Ponto Frio, a receita aumentou 10,5%.

Nas redes de vestuário houve crescimento de receita de até 17,9% – caso da Riachuelo – mas foi necessário dar descontos ou ajustar as coleções para um consumidor ainda preocupado com preço. Segundo a Riachuelo, as ações promocionais afetaram a margem bruta da companhia, que caiu 2,4 pontos, para 50,8% de janeiro a março. A Renner atribuiu sua alta de 15% na receita ao acerto nas coleções. Desde o ano passado, a Renner ampliou o sortimento de produtos com preços mais baixos. No caso da empresa, o lucro cresceu 66%, ajudado também pelo controle de despesas.

O presidente da Cia. Hering, Fabio Hering, disse que a companhia teve um desempenho irregular no primeiro trimestre, com altos e baixos. Mas, na média, o consumo se recupera. “Janeiro foi bom, fevereiro foi ruim, março já foi bom. Enxergo que no ano haverá uma recuperação gradual, mas ela se dará de forma heterogênea.”

Sessenta por cento das varejistas analisadas no levantamento do Valor Data conseguiram apresentar expansão do lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) mais acelerada que a da receita. É uma indicação de que, além de vender mais, elas têm obtido ganhos em suas estruturas, parte deles relacionados com quedas nas despesas administrativas, gerais e com vendas – e não só financeiras. “Mesmo as médias empresas têm sentido esse movimento”, disse Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

A Via Varejo, que registrou alta de 12% nas despesas e de 25,7% no Ebtida no trimestre, tem tomado medidas para conter gastos. “Há novas iniciativas que desenvolvemos e que vão começar a amadurecer nos próximos trimestres. Elas devem gerar crescimento de vendas com melhor produtividade e ganhos de eficiência maior daqui para frente”, disse à analistas, dias atrás, Paulo Naliato, diretor de operações da companhia.

“As empresas reagiram a um início de ano de atividade econômica mais fraca, especialmente em janeiro e fevereiro. E isso foi possível porque elas ficaram mais ágeis após a crise e passaram a reagir a sinais de desaceleração com ações para gerar tráfego e vendas”, disse Juracy Parente, coordenador do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Fonte: Valor Econômico

publicidade