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Joint venture vai desenhar e produzir componentes no País

Parceria, que tem envolvimento da Qualcomm, terá unidade na região de Campinas (SP) com investimento de US$ 200 milhões

Rafael Steinhauser

A Qualcomm anunciou ontem 05.02, uma joint venture para instalar uma unidade para desenho e fabricação no Brasil de componentes que podem ser usados na produção de smartphones e equipamentos direcionados à internet das coisas (IoT). A unidade será instalada na região de Campinas (SP) em um prazo de dois anos. O investimento é estimado em US$ 200 milhões em cinco anos.

Na fábrica, que será construída pela USI, fabricante de chips de Taiwan, serão produzidos módulos que reúnem vários componentes necessários para um dispositivo eletrônico funcionar, como memória, processador, sistemas de comunicação etc. Isso permite reduzir o custo de desenvolvimento e acelerar o prazo de lançamento de um produto.

Batizado provisoriamente de QSip, esse produto é uma tecnologia nova que ainda não chegou ao mercado. “Provavelmente, com o projeto, o Brasil será um dos primeiros habilitadores dessa tecnologia no mundo”, disse Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para América Latina.

De acordo com Cristiano Amon, presidente internacional da Qualcomm, a escolha por esse produto foi feita por conta da dinâmica do mercado mundial de semicondutores. Atualmente, os fabricantes vão à Ásia para desenvolver e fabricar seus produtos. É uma cadeia bem estabelecida e que exige investimento maciço, o que abre poucas oportunidades para a inserção de outros países, como o Brasil. “Por que não trazer [ao país] algo que não existe, ao invés de tirar algo que já e feito na Ásia?”, disse Amon.

Na avaliação de Steinhauser, a demanda inicial para os módulos virá de marcas locais de smartphones como Positivo, Multilaser e DL Tecnologia. Mas há espaço para que nomes internacionais, como a Asus, desenvolvam modelos específicos para o mercado brasileiro. Os equipamentos para internet das coisas são outro alvo. No ano passado, o Brasil lançou o Plano Nacional de Internet das Coisas para impulsionar a adoção desse tipo de tecnologia. A estimativa é que a IoT seja responsável pela geração de US$ 250 bilhões em negócios na economia brasileira em 2025.

Segundo, C.Y. Wei, presidente da USI, os volumes de produção necessários para uma fábrica de módulos são menores que os de uma fábrica de chips individuais, o que justifica o investimento no Brasil. A USI faz parte do grupo ASE, de fabricação de eletrônicos. Listada na bolsa de Shenzhen, na China, a companhia teve receita de US$ 4,4 bilhões em 2017.

O que está sendo trazido para o país não é uma fábrica de chips – a chamada “foundry”, que envolve investimento de bilhões de dólares. O processo de produção de um módulo é parecido com o que já é feito pela indústria de computadores e de smartphones, ou seja, colocar diversos componentes em uma mesma placa. A diferença é o tamanho reduzido do componente da USI.

O projeto nasceu em 2014 como evolução de conversas iniciadas pela Qualcomm e o governo federal em 2012 para aumentar a inclusão digital no país, pensando especialmente no mercado de smartphones. Em março do ano passado, a Qualcomm, a ASE, o governo federal e o governo de São Paulo assinaram um memorando de entendimento para a criação da joint venture anunciada ontem.

Além de incentivos fiscais do Processo Produtivo Básico (PPB), editado pelo governo federal para o plano de IoT, a unidade contará com uma alíquota de ICMS reduzida no Estado de São Paulo.

De acordo com Steinhauser, a partir de março a Qualcomm começará a conversar com fabricantes para desenhar produtos, que poderão ser encomendados a fábricas na Ásia, enquanto a unidade brasileira não fica pronta.

A Qualcomm planeja trazer profissionais do exterior e levar brasileiros para ser treinados fora do país. A expectativa é que a unidade empregue entre 800 e mil pessoas. Steinhauser não revelou a participação societária da Qualcomm e da USI.

Além da fábrica, a empresa planeja criar, ainda neste ano, um centro para estimular o desenvolvimento de tecnologias para cidades inteligentes. A ideia é se unir a centros de pesquisa e prefeituras para levar o projeto adiante.

Fonte: Valor Econômico

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