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Investimento recua 11,3% em maio, pior resultado desde 96

Formação bruta de capital fixo interrompeu uma sequência de três meses de recuperação e voltou ao patamar de abril de 2009


Sob efeito da greve dos caminhoneiros, os investimentos tiveram, em maio, seu pior mês na história recente do país. Segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os investimentos recuaram 11,3% em maio, na comparação a abril, livre dos efeitos sazonais. É o pior resultado desde janeiro de 1996, início da série histórica disponível.

A paralisação de 11 dias dos caminhoneiros no fim de maio afetou o recebimento de matérias-primas por indústrias de bens de capital, escoamento da produção realizada e a importação de máquinas. Também afetou a construção civil, ao gerar uma crise de abastecimento de materiais.

Desta forma, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – resultado da soma de produção interna com importações, retiradas as exportações – recuou 14,6% frente a abril. A abertura do indicador mostra que a produção de bens de capital teve queda de 12,8%. As importação de bens de capital, por sua vez, recuou 9,8% frente a abril.

A paralisação também afetou o resultado da construção civil. Pela série com ajuste sazonal, a atividade recuou 11,5%. Por fim, o terceiro componente dos investimentos, classificado como “outros ativos fixos” (propriedade intelectual, lavouras permanentes, gado de reprodução etc.), teve queda de 4,7% no mês.

Com o resultado de maio, o chamado Indicador Ipea de formação bruta de capital fixo (FBCF) interrompeu uma sequência de três meses de recuperação, retornando ao nível de abril de 2009. Nos cálculos do Ipea, a queda foi de 1,4% em relação a maio do ano passado. Apesar disso, o indicador de 12 meses ainda cresce 1,3%.

Segundo José Ronaldo de Castro Souza Junior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, apenas parte das perdas devem ter sido recuperadas já em junho. Ele disse que o reabastecimento de materiais e retomada das operações podem ter sido lentas no início do mês. Além disso, as partidas da seleção brasileira na Copa do Mundo parou fábricas e obras.

“A greve afeta o desempenho do investimento no ano. Tanto que revisamos nossa projeção de crescimento do investimento no PIB de 2018 de 4,5% para 3,6%. Nesse caso, também por conta do cenário externo, com a questão dos juros americanos. Mesmo assim, ainda é um crescimento em relação ao ano passado”, disse o economista do Ipea.

A dúvida são os efeitos da greve dos caminhoneiros sobre a confiança de empresários para investir. Os cálculos de formação bruta de capital fixo do Ipea – assim como o do IBGE, ao qual busca antecipar – são baseados nas estatísticas de produção e oferta, e não baseados em planos de investimentos.

Fonte: Valor Econômico

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