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Inteligência artificial é próximo desafio econômico, prevê especialista

Tema foi um dos destaques da Campus Party Brasília

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O boom das empresas de inteligência artificial será uma das próximas bolhas com que a economia mundial terá de lidar. Isso porque esse tipo de tecnologia virará uma commodity, ou seja, uma matéria-prima. A expectativa é do cientista de dados Ricardo Cappra. Um dos principais nomes do país sobre o assunto, ele era um dos palestrantes mais aguardados na edição da Campus Party de Brasília, que ocorreu entre os dias 14 e 17 de junho. Para se apresentar, Cappra citou algumas grandes empresas para as quais presta serviço. Não falou, entretanto, que seu laboratório já foi contratado pelo governo dos Estados Unidos, pela campanha de Barack Obama e até pela Organização das Nações Unidas (ONU) para mapear a epidemia de ebola. Mesmo sem oferecer todas suas credenciais, o cientista começou a explicar que a humanidade vive com um volume absurdo de dados e que apenas isso não significa evolução.

Ricardo Cappra ressaltou, para a surpresa de vários ouvintes, que todos produzem dados o tempo inteiro. Basta ter um smartphone que capta som ou uma smart TV. Afinal, alguns captam conversas ambientes para oferecer publicidade. Com esse volume incalculável de informação, a perspectiva é que parte da humanidade tenha depressão por não acompanhar o ritmo.

Por isso, ele aponta a necessidade de ler os dados de forma útil. É o que faz para viver. Para exemplificar a importância do ser humano na manipulação dos dados, o cientista disse que a tecnologia avança tão rapidamente que haverá a quebra de empresas de inteligência artificial, porque o ser humano não tem evoluído na mesma velocidade na capacidade de programar os robôs e, principalmente, dar limites éticos para as máquinas.

“O robô da Microsoft foi programado da forma errada”, exemplificou.

Ele referiu-se ao Tay, um robô com inteligência artificial, inventado para interagir com adolescentes em redes sociais. Em menos de um dia, começou a reproduzir ofensas racistas e antissemitas. Foi desativado 24 horas depois da estreia.

Aos adolescentes na plateia colocou problemas que eles terão de enfrentar em breve no mercado de trabalho na área de tecnologia. Citou o programador de carro autônomo que precisa determinar, em uma situação em que seja impossível frear o automóvel, qual grupo de pessoas atropelaria.

São questões que seres humanos têm de enfrentar diariamente, mas colocar as regras num código gera um incômodo ético e moral.

“Vamos viver um processo de depuração das máquinas. Mas a gente nunca vai conseguir programar uma máquina como o ser humano”.

Para os programadores, ainda falou que o importante não será mais saber fazer códigos, porque isso poderá ser facilmente ser feito por máquinas treinadas. Cappra prevê, ainda, que essa revolução tecnológica dos meios de produção criará nichos para humanos, pois não haverá programação suficiente para substituir o trabalho de um psicólogo. Ao contrário. Haverá a necessidade de terapeutas para robôs. E — num futuro muito próximo — a tecnologia mudará a divisão de classes na sociedade.

“Não teremos uma classe social-econômica, mas uma classe divida por inteligência, ou seja, pelo Q.I”, prevê o especialista.

Ele lembrou uma experiência de uma ONG internacional que fez com que crianças pobres do sertão nordestino (que aprenderam matemática autonomamente com programas de computador) tivessem um desempenho melhor que paulistanos das melhores escolas.

Usou isso como base para prever uma revolução no ensino da matéria mais temida pelas crianças. Acha que o ensino tradicional está fadado à morte nos próximos anos. Robôs devem fazer o ensino da matemática muito mais divertido e eficiente que os professores de hoje. O conteúdo de um ano poderá ser aprendido em imersões de duas semanas.

No entanto, ressalta que essa regra não vale para todas as matérias:

“Um robô nunca vai conseguir ensinar filosofia e psicologia. Tem coisas que só o ser humano pode fazer”.

Na palestra seguinte, o especialista em comunicação Dado Schneider usou o exemplo de Cappra para falar de mudanças que acontecerão mais rapidamente do que as previstas pelo colega palestrante. Disse que os robôs devem ocupar todos os subempregos em poucos anos.

“Com big data, teremos robôs recepcionistas em sete anos”, previu o comunicólogo.

Ele disse que podem cobrá-lo pela projeção. Aposta que o mau humor típico de quem atende ao público será substituído pela gentileza robótica.

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