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Indústria não repassou toda a inflação para bens de consumo, mostra IPP

Inflação da indústria ficou em 0,83% no mês passado, segundo IBGE


Com a valorização do dólar e das commodities no mercado internacional, os preços de bens intermediários (minério, químicos, metais) ficaram 24,4% mais caros nos últimos 12 meses até agosto. As indústrias, porém, conseguiram repassar só parte da pressão de custos para bens de consumo, que ficaram 5,21% mais caros no período.

Segundo Alexandre Brandão, analista do Índice de Preços ao Produtor (IPP), do IBGE, o repasse tem sido dificultado pelo lento ritmo da atividade econômica e da demanda enfraquecida. “As indústrias não têm espaço para repassar custos [ao varejo]. Elas então reduzem suas margens de lucro, fazem alguma coisa.”

Divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPP foi de 0,83% em agosto. Pelo indicador de 12 meses, o índice avançou 16,51%, maior alta da série histórica da pesquisa, iniciada em dezembro de 2014. A média histórica do IPP acumulado em 12 meses é de 5,21% – ou seja, o indicador está duas vezes maior que seu padrão médio histórico.

Parte da pressão de custos vem do dólar, que ficou 24,7% mais caro em relação ao real nos últimos 12 meses. Esse movimento afetou preços de produtos cotados internacionalmente ou importados, como madeira (13,7%), fumo (13,8%), metalurgia (14,7%) e produtos químicos (23,3%), conforme mostrou a pesquisa do IBGE.

“Existe uma demanda de lingotes [barra de metal usada por diversos segmentos da indústria] ainda crescente no mercado internacional, elevando preços. Quando junta isso ao câmbio, resulta num efeito forte”, exemplificou Brandão.

O IPP mede a variação dos preços dos produtos na “porta das fábricas”, sem impostos e frete, da indústria extrativa e de transformação. Das 24 atividades acompanhadas, 23 apresentaram alta de preços nos últimos 12 meses. A única atividade em queda no período foi a de bebidas, com deflação acumulada de 3,73%, de acordo com o IBGE.

Fonte: Valor Econômico

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