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Indústria cobra propostas de candidatos para setor

Segmento vê planos de governo superficiais e pede diálogo


Entidades que reúnem os mais diversos ramos da indústria brasileira enviaram aos candidatos à Presidência propostas para recuperar e dinamizar o setor nos próximos anos. As demandas, já bem conhecidas, envolvem a redução do chamado custo-Brasil, em que o carro-chefe é a reforma tributária, a revisão de barreiras tarifárias e o incentivo à inovação por meio de linhas de financiamento. Isso tudo somado ao equilíbrio macroeconômico: ajuste fiscal, juros e inflação baixos.

Em contraposição às demandas da indústria, os programas de governo dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno são superficiais quanto às políticas para o setor. A expectativa é que agora as campanhas sejam mais propositivas.

“Esperamos que temas importantes da economia, da indústria em especial, apareçam no debate”, diz Júlio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A entidade entregou aos candidatos um documento de 300 páginas que aborda inovação, modernização do parque industrial e estímulo à exportação, e os convidou para conversar.

Para Almeida, é preciso uma política de Estado para a indústria, um tema que ganhou força no mundo nos últimos anos. “Um estudo da Unctad [órgão da ONU] mostra que, de 101 países que adotam políticas industriais, 24 são desenvolvidos. A grande maioria dessas políticas foi formulada nos últimos cinco anos. Ter estratégia industrial é regra, não exceção.”

Das propostas dos candidatos conhecidas até agora há fatores preocupantes de ambos os lados, diz Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Ele cita a ênfase nas relações comerciais do chamado eixo Sul-Sul proposta por Fernando Haddad, de um lado, e a integração do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (Mdic) pelo superministério da Economia de Jair Bolsonaro, por outro.

A proposta enviada pela Abinee aos candidatos ressalta a necessidade de políticas para promover a chamada indústria 4.0, frente em que o país está atrasado. “Precisamos de uma política de Estado focada em inovação”, diz. Para Almeida, do Iedi, essa fase 4.0 vai reposicionar a disputa industrial entre os países. “O mundo está investindo forte nisso e precisamos acompanhar”.

Após declarações de representantes da indústria de que a equipe de Bolsonaro conversa mais com o mercado financeiro que com a produção, Haddad afirmou que seu ministro da Fazenda será alguém do setor produtivo, mas não deu mais detalhes.

Para Barbato, a questão não é primordial: “O importante é a capacidade de diálogo”. Para Almeida, mais que um ministro, o ideal é que o governo todo se oriente para políticas de estímulo à produção.

A questão também passa ao largo das preocupações do presidente do Sindusfarma (indústria farmacêutica), Nelson Mussolini. “Precisamos de diálogo, interlocução com o governo, independentemente se isso vai ocorrer com um ministro ou um secretário”. Ele espera que o próximo presidente ataque a questão tributária nos primeiros 60 dias de governo. O setor também propõe uma revisão na regulação dos preços do setor, sua principal demanda. “Isso é fundamental para que as empresas invistam”, afirma. Entre as oito propostas do Sindusfarma para o novo governo, duas pedem a indicação de técnicos para comandar o Ministério da Saúde, além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Agência Nacional de Saúde (ANS).

Fonte: Valor Econômico

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