Portal Eletrolar.com

Notícias

Hitachi paga US$ 6,4 bi por 80% de negócio da ABB

Grupo suíço anunciou medidas de reestruturação para melhorar o desempenho

A Hitachi do Japão está comprando uma participação de 80% na divisão de sistemas elétricos da ABB por US$ 6,4 bilhões, na maior aquisição internacional da sua história. A companhia faz isso no momento em que tenta se tornar uma potência industrial mundial e sua concorrente suíça se concentra em negócios digitais e robótica.

A ABB vai manter inicialmente participação de 19,9% na unidade vendida, avaliada em US$ 11 bilhões incluindo suas dívidas. Um total de US$ 7,6 bilhões a US$ 7,8 bilhões será devolvido aos acionistas da ABB via recompras de ações.

O grupo suíço também anunciou medidas de reestruturação para melhorar o desempenho – suas ações perderam quase 25% de valor ao longo do último ano.

O negócio, que deverá estar concluído até o primeiro semestre de 2020, vai reforçar a ambição da Hitachi de entrar para o rol dos grupos industriais globalizados do qual fazem parte a General Electric e a Siemens. “Esta é uma boa aquisição para garantir nossa posição como líder mundial”, disse Toshiaki Higashihara, o executivo-chefe da Hitachi.

A Hitachi, que tem uma joint venture com a ABB no Japão desde 2015, pretende converter a unidade de sistemas elétricos da ABB em uma subsidiária integral em quatro anos. Ela vai financiar a aquisição usando recursos próprios e empréstimos bancários.

O negócio com a ABB soma-se à aquisição de ativos ferroviários feitos pela Hitachi na Itália. Ela também vendeu divisões menos lucrativas para se concentrar em certas linhas de negócios. Nessas áreas de foco, a Hitachi disse que quer aumentar a receita de suas operações com sistemas elétricos em 60%, para 120 bilhões de ienes (US$ 1 bilhão), em três anos.

Mas segundo analistas, a mais nova aquisição levanta outras dúvidas sobre uma central nuclear de 15 bilhões de libras que ela está desenvolvendo no País de Gales.

“Se a Hitachi não conseguir garantir os pré-requisitos de financiamento e o compromisso sério do governo britânico, não vejo como eles poderão prosseguir com o projeto”, diz Damian Thong da Macquarie.

Em resposta a notícias recentes publicadas na imprensa, de que a Hitachi poderá congelar o projeto Wylfa Newydd, Higashibara disse que há limites ao grau de riscos que a companhia pode assumir. “Vamos prosseguir com o projeto se ele fizer sentido econômico. Caso contrário, poderemos congelá-lo”, acrescentou ele, afirmando que nenhuma decisão final foi tomada.

Em uma entrevista separada a jornalistas, Hiroaki Nakanishi, presidente da federação de empresas Keidanren e presidente do conselho de administração da Hitachi, também disse que a estrutura acionária “tripartite” proposta, em que os governos do Reino Unido e Japão assumiriam participações acionários juntamente com a Hitachi, parece cada vez mais difícil.

O anúncio oficial do negócio com a ABB aconteceu após o “Financial Times” noticiar que as companhias estavam negociando a portas fechadas e que as negociações estavam bem adiantadas.

Há dois anos, Ulrich Spiesshofer, executivo-chefe da ABB, resistiu a pedidos para desmembrar o grupo, feito pela Cevian Capital, investidor ativista europeu que controla 5% da ABB. Na ocasião, a ABB afirmou que a operação de sistemas elétricos seria recuperada sob o controle da companhia.

Desde então, o desempenho dessa operação melhorou significativamente e Spiesshofer disse a jornalistas, ontem, que este é o “momento certo” para vender. A unidade teve lucro operacional de US$ 972 milhões no ano passado, sobre receitas de US$ 10,4 bilhões.

Spiesshofer afirmou que ao devolver os recursos obtidos com a venda, o grupo permitirá aos acionistas “colher os resultados da sua paciência”. Ele acrescentou que o forte fluxo de caixa da ABB ainda permitirá ter “poder de fogo significativo” para aquisições futuras.

Lars Förberg, cofundador da Cevian, disse que o negócio foi “o passo certo para a ABB e apoiamos totalmente a direção estratégica do conselho e da administração”.

Junto com a venda da unidade de sistemas elétricos, a ABB anunciou planos de redução dos custos de US$ 500 milhões em um ano e uma simplificação de sua estrutura organizacional.

Ela fixou metas de “médio prazo” de crescimento de 3% a 6% da receita anual e margens operacionais de 13% a 16%. Nos primeiros nove meses do ano, as taxas de expansão das receitas e das margens de lucro da ABB ficaram pouco abaixo dessa faixa.

 

Fonte: Valor Econômico

publicidade