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Geração de caixa da indústria dobraria com menos tributos, diz Fiesp

Segundo trabalho divulgado pela entidade, isso ocorreria se o Brasil tivesse condições tributárias e de financiamento semelhantes às encontradas na média dos países com os quais tem 76% do comércio e que representam 70% do PIB mundial


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou um trabalho apontando que a geração de caixa do setor industrial dobraria se o Brasil tivesse condições tributárias e de financiamento semelhantes às encontradas na média dos países com os quais tem 76% do comércio e que representam 70% do PIB mundial.

Considerando uma geração de caixa de 100, no período de 2013 a 2016 os encargos financeiros consumiriam 57,6 e a aplicação do Imposto de Renda sobre a diferença retiraria outros 14,4, levando ao resultado líquido de 28. A Fiesp simulou o quadro da indústria brasileira, caso ela tivesse as condições de seus competidores. Nessa situação, os mesmos 100 de geração de caixa seriam reduzidos em 12,4 de encargos financeiros e sobre a diferença seriam aplicados 29% de IR, levando a resultado líquido de 62,6.

“Ao longo dos anos, a indústria fez grande transferência de valor agregado para o setor financeiro e para cobrir as ineficiências do governo”, aponta o material. “Os elevados custos financeiros e a carga tributária tiram a capacidade de as empresas investirem, especialmente em inovação”, disse ao Valor o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

O trabalho, que compila análises como a situação do spread bancário e faz sugestões de medidas emergenciais que deveriam ser adotadas pelo atual governo, foi encaminhado ao presidente Michel Temer, ao ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e aos presidentes dos bancos públicos. O documento também deve ser apresentado aos candidatos à Presidência.

A Fiesp também fez uma análise da renda disponível das famílias brasileiras, em base 100, mostrando que, ao se comparar com as condições vigentes nesses mesmos países, ela é 12% menor. Enquanto o brasileiro, a partir de uma renda de 100 fica com 59,7 após o pagamento de tributos e encargos financeiros, as famílias de países como os quais o Brasil tem a maior parte de seu comércio ficam com 68,2.

Roriz defende que o governo, tanto este como o próximo, trabalhe para avançar numa reforma tributária que realmente dê mais competitividade para as empresas e também estimule o consumo. Além disso, avalia que é preciso que o Planalto trabalhe para concluir a votação do cadastro positivo no Congresso e também para aumentar a concorrência no setor bancário. Ele contesta a visão do BC de que a alta concentração no sistema financeiro não teria relação com o elevado custo do dinheiro no Brasil. “O governo tem que atuar nisto”, disse.

O estudo da Fiesp também reforçou a mensagem da entidade, já revelada pelo Valor em abril, mostrando que, se o spread bancário (a diferença entre custo de captação e de repasse do crédito) estivesse na média vigente entre 2012 e 2014, as famílias teriam renda disponível adicional de R$ 141,6 bilhões. O documento lembra que volume é mais de três vezes superior ao total injetado na economia pela liberação das contas inativas do FGTS no ano passado, elemento decisivo para o crescimento econômico de 1% do Brasil no ano passado.

Para Roriz Coelho, se fosse comparado com as taxas praticadas pelos bancos internacionais, esse montante liberado na economia seria ainda maior, embora a entidade não tenha feito a conta.

Nas contas da Fiesp, se tivesse ficado na média praticada entre 2012 e 2014, o spread médio das operações de financiamento às famílias em 2017, ajustado pela inadimplência, seria de 31,1 pontos percentuais ao ano, em vez dos 54,6 pontos percentuais anuais verificados na média. Dessa forma, a taxa de comprometimento da renda com juros cairia de 10,1% para 6,7%, liberando os recursos na economia, em vez de ficarem com o setor financeiro.

A Fiesp contesta a visão apresentada pelos bancos e corroborada pelo BC de que o spread bancário elevado no Brasil teria maior relação com os níveis de inadimplência. Segundo a entidade, a inadimplência média no Brasil é 52% menor que a média de 114 países, que respondem por quase 90% do PIB mundial. “Logo, a inadimplência não é justificativa para o spread elevado”, diz a Fiesp.

Fonte: Valor Econômico

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