Portal Eletrolar.com

Notícias

Fim do sinal analógico de TV tem ampliado as oportunidades de negócios

Categorias de conversores e antenas, bem como a de televisores, registram crescimento nas vendas. Demanda e oferta bem ajustadas garantirão sinergia para boas vendas, principalmente se o lojista estiver em linha com o cronograma do “apagão”

mapa
Todos os municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes já recebem a programação da TV aberta por meio de sinal digital. A transmissão analógica também está disponível nessas localidades. Entretanto, em março do ano passado, o município de Rio Verde, em Goiás, deu o pontapé inicial para o apagão analógico, como se convencionou chamar a substituição de uma frequência pela outra. Desde então, 64 mil domicílios rio-verdenses sintonizam apenas a TV digital, com qualidade de imagem e som bem superior ao padrão anterior. O processo está em curso e requer adequações por parte dos espectadores. Televisores de tubo, assim como os modelos tela fina com data de fabricação anterior a 2010, precisam de conversor para receber o novo sinal, captado principalmente por antenas UHF, exigência que tem alavancado as vendas da linha marrom.

Até o final do próximo ano, 1.300 municípios, o que corresponde a 2/3 da população brasileira, serão atendidos exclusivamente pelo sinal digital. As 4 mil cidades restantes, com baixos índices habitacionais e localizadas em regiões mais afastadas, terão a migração feita aos poucos, com prazo-limite em 2023. Dentre os 64 milhões de domicílios do País, 8 milhões já não dispõem mais da transmissão analógica, segundo dados de abril do Seja Digital, braço executivo do Grupo de Implementação da TV Digital (Gired). Além de Rio Verde, Brasília, cidades ao redor da capital federal, São Paulo e os municípios de sua região metropolitana já passaram pela migração. Com impacto sobre 7 milhões de domicílios, o apagão analógico em São Paulo, concluído em março deste ano, foi a etapa mais desafiadora do processo, que, no final de maio, começou a ser conduzido em Goiânia e mais 28 cidades de Goiás.

Como a substituição de um sinal pelo outro ainda está em curso em boa parte do País, incluindo as demais capitais brasileiras, é hora de o varejo atentar para o aumento da demanda por produtos compatíveis com o novo padrão de transmissão. O diretor-geral da Seja Digital, Antonio Carlos Martelletto, explica que a adoção da TV digital já foi realizada em 60 países. Essa iniciativa faz parte de um acordo capitaneado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para harmonizar o espectro de frequência e deve envolver, no total, 193 países. A partir dessa experiência prévia, observou-se que 85% da população adaptava-se ao novo sinal em até 60 dias antes do apagão analógico. “O mesmo vem sendo observado no Brasil, apenas 15% têm deixado para o último momento ou para depois do desligamento.”

É hora de venderantena1
O potencial de mercado para as categorias de produtos impactadas pela TV digital é enorme. “Há uma janela de oportunidades. A principal delas é para a venda de televisores, grande sonho de consumo dos brasileiros, mas nem todos terão condições de trocar agora o seu aparelho. O varejo está aquecido, tanto para as TVs como para os conversores”, constata Antonio Carlos. Como o apagão coincidiu com um dos períodos mais críticos para o consumo no País, boa parte das pessoas tem optado pelos conversores em vez de substituir o seu televisor. “Nesse momento, a melhor opção vem sendo a aquisição do kit digital devido ao custo/benefício”, revela Sônia Flores, gerente comercial da BedinSat, que espera incremento nas vendas de aproximadamente 40%.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados no ano passado, em 2015 apenas 20% dos municípios brasileiros usufruíam do sinal digital. Esse número tem aumentado de lá para cá. Desde o apagão em Rio Verde, a comercialização de conversores e também de antenas vem crescendo à medida que a migração do sinal avança pelo País. Nos três primeiros meses deste ano, às vésperas do desligamento na Grande São Paulo, as vendas avançaram significativamente.

“A expectativa é que os resultados deste ano sejam 50% superiores aos de 2016 por conta do maior número de capitais que terão o sinal analógico interrompido definitivamente”, prevê Rafael Montello, gerente de produtos da Maxprint. Todos os fabricantes vêm celebrando vendas expressivas. “Nossa previsão para 2017 era vender 20 vezes mais do que no ano passado, mas já atingimos a meta. Nosso desempenho em fevereiro e março foi 30 vezes maior do que a média, muito acima do esperado”, conta Rafael Cortes, gerente de produtos da Multilaser.

Para a adequação à nova transmissão de TV, os consumidores necessitam do conversor e de uma antena compatível com o sinal. Em alguns casos, há a necessidade dos dois equipamentos, garantindo oportunidades de negócios para as duas categorias. “Ambas têm apresentado resultado muito bom. No entanto, os conversores são mais procurados por serem produtos essenciais para recepcionar o sinal digital”, esclarece Tiago de Melo Ribeiro, gerente do segmento de conversores e antenas da Intelbras.

Demandas distintas
antena2
“Tivemos um aumento na venda desses produtos de maneira geral. Acho que na crise as pessoas buscam alternativas mais econômicas de entretenimento e informação, e a TV atende a essa demanda. O desligamento do sinal analógico acabou influenciando positivamente”, diz Damian Zisman, diretor-executivo da Elsys. O executivo acredita que existem diferentes opções para o brasileiro não ficar sem sinal de TV, é uma questão de adequação à sua realidade. “Há, por exemplo, aqueles que aproveitam o momento para comprar um aparelho novo de TV, mais atual. Outra parte da população, que está nos programas sociais, recebe kits digitais e não precisa investir em nenhum outro equipamento”, acrescenta.

A Fastway acompanhou o processo em curso no Brasil e nos outros mercados onde atua – entre eles, Portugal e Espanha. O CEO da empresa para a América Latina, Marcelo Gonzalez, afirma, a partir dessa experiência, que as vendas tendem a seguir aquecidas por até três anos depois da finalização do processo. “Na urgência, a pessoa compra um produto para adequar o televisor da sala. Depois, vai adquirindo para os demais aparelhos espalhados pela casa. No Brasil, é muito difícil uma TV ir para o lixo, ela vai mudando de cômodo, e esses modelos antigos vão precisar de conversores.” Segundo ele, o mercado brasileiro triplicou de tamanho desde o início do desligamento. “O pico deve ir até o final deste ano, mas as oportunidades devem se alongar, inclusive por conta do mercado de reposição.”

Para garantir a adequação dos lares brasileiros ao novo sinal, a Seja Digital vem distribuindo kits de conversão para os beneficiários de programas sociais vinculados ao governo federal. De acordo com Antonio Carlos, em 2015 foram concedidos 8 mil kits. No ano passado, esse número saltou para 600 mil. Nos três primeiros meses deste ano, foram distribuídas 1 milhão de unidades, com a previsão de 8 milhões até o final de 2017. Nem por isso o desempenho das vendas do varejo foi impactado. “Tínhamos esse receio, porém ele não se confirmou”, esclarece Tiago, da Intelbras. A empresa vem tendo desempenho expressivo, e a expectativa, para este ano, é crescer 100% em relação a 2016.

“A grande maioria dos beneficiários é formada por pessoas que não têm acesso ao varejo e ao crédito, não afetando a demanda real do mercado”, justifica Rafael Montello, da Maxprint. O Seja Digital vem acompanhando o desligamento bem de perto e conduziu pesquisa qualitativa com famílias carentes que não estavam inscritas em programas sociais, para avaliar o impacto do apagão no acesso delas à televisão, uma das principais fontes de informação e entretenimento do País. “Quando o sinal for desligado, elas disseram que essa será a prioridade número um do seu orçamento, mesmo que para isso tenham que deixar de pagar alguma outra conta”, diz Antonio Carlos.

Prepare sua estratégia
antena3
Como os meios de comunicação vêm anunciando a mudança de transmissão, a procura por esses produtos segue aquecida. Sônia, da BedinSat, orienta que este é o momento para o varejista se beneficiar do apagão. “O lojista pode potencializar as vendas com ações pontuais.” O gerente de produtos da Multilaser reforça a importância de que essas iniciativas sejam adotadas com bastante antecedência em relação à data do desligamento. “Ao se antecipar, quando o desligamento estiver iminente, o varejista será referência para esse tipo de produto.”

Exposição no ponto de venda e vendedores capazes de orientar e esclarecer as dúvidas dos clientes são providências tão importantes quanto reforçar os estoques. “A melhor forma de chamar a atenção do consumidor é deixar duas TVs ligadas, uma sintonizada no analógico e outra no digital. É fácil perceber as diferenças”, sugere Marcelo, da Fastway. O executivo enfatiza a importância de bons canais de atendimento ao consumidor, tanto no balcão de atendimento como no pós-venda.

Como o desligamento segue um cronograma, fica fácil prever picos de demanda e preparar os estoques. Levantamento do Zoom, comparador de preços e produtos, aponta que a consulta por conversores cresceu às vésperas do desligamento em São Paulo, com aumento de 58% em março frente ao mês anterior. De fevereiro a dezembro de 2016, as buscas seguiram aquecidas, com picos de 75% em novembro e 30% em julho.

A Seja Digital também observa, junto à indústria e ao varejo, a disponibilidade de produtos para venda, e o que se constata, segundo Antonio Carlos, é que a demanda vem sendo atendida. Até varejistas que não dispunham dessas categorias em seu mix estão ampliando a oferta para surfar nessa onda. “Cada varejista adota uma estratégia para atrair clientes por conta dessa janela de oportunidades, seja incorporando a venda de antenas ou fazendo promoções de TV. A indústria também tem se movimentado.”

Uma das empresas que abraçaram essa iniciativa foi a Elsys. Entre as ações que ela vem implementando estão a promoção de workshops, treinamentos e distribuição de materiais informativos para o ponto de venda. “Estamos investindo em estratégias para aproximar os lojistas da população que está passando pelo apagão. Vemos o switch off como um importante movimento para o mercado de televisão brasileiro e, nesse momento, o que faz a diferença para os players é estar atento às mudanças e às oportunidades”, destaca Damian.

O cenário é bastante positivo, na opinião do diretor-geral da Seja Digital, caso os lojistas saibam adequar-se a ele. “Vivemos nos últimos dois anos a maior crise pela qual o Brasil já passou e, mesmo assim, todos continuam vendo televisão. A perspectiva é positiva para o varejo. À medida que a situação econômica melhora, outras oportunidades podem surgir, como a venda de televisores. Se com a economia indo mal o mercado já estava bom, quando ela começar a ir bem vai ficar melhor ainda.”

Fonte: Igor Carvalho, repórter da revista Eletrolar News (publicada na edição n° 118)

publicidade