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Fim da recessão não está no horizonte de economistas

Após a expansão do primeiro trimestre, que sugere o início de retomada, a economia poderá voltar a ter desempenhos negativos por conta da crise política que emperra as reformas

crise
Ao considerar os efeitos da crise política sobre a atividade econômica, o Banco Central decidiu nesta quarta (31) não só manter o corte da taxa básica de juros, a Selic, em um ponto percentual —mesmo patamar da última redução— como sinalizou que deverá reduzir esse ritmo em sua próxima reunião.

Os juros foram reduzidos, por unanimidade, para 10,25% ao ano, o que era esperado pelo mercado desde que a delação da JBS atingiu o presidente Michel Temer.

No comunicado da decisão, em que o BC cita a palavra “incerteza” cinco vezes (o termo foi usado duas vezes na decisão de abril), a autoridade monetária lembra que, se a crise política durar muito tempo, as reformas, e consequentemente a economia, serão prejudicadas.

“Ainda não via motivo suficiente para dizer que a recessão tinha acabado. A crise política adicionou um viés de baixa extra nessa análise”, diz o economista Paulo Picchetti, da FGV.

Picchetti é um dos sete membros do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), que estabelece, oficialmente, a cronologia das recessões no Brasil.

Ele ressalta que foi difícil determinar o início do atual ciclo recessivo e tudo indica que isso se repetirá no processo para registrar seu fim.

Os comitês de datação de ciclos —no Brasil e em outros países— normalmente esperam algum tempo para anunciar suas decisões e só se manifestam quando percebem elementos convincentes de mudança de rota.

Embora o conceito de dois trimestres seguidos de queda seja a definição mais popular de recessão, na prática, nem sempre isso ocorre.

O Codace estabeleceu o segundo trimestre de 2014 como o marco inicial do atual ciclo, embora ele tenha sido seguido por dois períodos subsequentes de estabilidade do PIB, até que novas contrações voltaram a ser registradas de forma ininterrupta até o fim de 2016.

Agora pode ocorrer o contrário: após a expansão do primeiro trimestre, que sugere o início de retomada, a economia poderá voltar a ter desempenhos negativos.

Segundo analistas de consultorias e instituições financeiras, os dados mais recentes indicam que o PIB do segundo trimestre tem grande chance de nova contração.

O banco Credit Suisse espera contração de 0,5% do PIB de abril a junho. “O resultado do primeiro trimestre foi bom, mostrou uma dinâmica diferente, mas esteve muito concentrado em poucos setores”, diz Leonardo Fonseca, economista da instituição.

Ele explica que a contribuição da agricultura —principal motor da recuperação no início do ano— para a economia como um todo continuará positiva, mas diminuirá.

Além disso, os dados da indústria e do setor de serviços, de forma geral, têm sido fracos.

Do lado da demanda, os investimentos voltaram a recuar no primeiro trimestre.

Daqui para a frente, a expectativa de economistas era que o ritmo mais rápido de queda dos juros reduziria o custo do crédito e estimularia os empresários a investir.

Mas, após a piora do cenário político —e seu impacto negativo em variáveis como a taxa de câmbio–, o Banco Central já deixou claro que os cortes da taxa Selic ocorrerão de forma mais lenta –a redução mais recente, neste semana, foi de 0,75 ponto.

A combinação entre juros em queda mais gradual e maior incerteza sobre o futuro pode adiar a retomada do consumo e do investimento.

Fonte: Folha de S. Paulo

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