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EUA liberam Brasil da sobretaxa do aço durante negociações

Representantes de empresas e autoridades do governo brasileiro têm insistido que o aço brasileiro não é uma ameaça à segurança dos EUA, porque 80% do que é vendido para lá é produto semiacabado, que serve de matéria-prima às indústrias locais.

O Brasil está temporariamente fora das sobretaxas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio que os Estados Unidos começam a cobrar hoje 23.03. Além de Canadá e México, que já estavam excluídos da regra, a taxação não será cobrada de Brasil, Argentina, Austrália, Coreia do Sul e União Europeia. Segundo o representante de Comércio, Robert Lighthizer, o presidente Donald Trump decidiu “pausar” a cobrança sobre países que estão em negociação com Washington. No fim da noite, a Casa Branca informou que a isenção vai até dia 1.º de maio.

O presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Mello Lopes, avaliou que a notícia era boa, mas devia ser recebida com serenidade, pois a negociação promete ser dura.

Essa avaliação foi confirmada pelo secretário de Comércio, Wilbur Ross, numa entrevista à TV Bloomberg. Ele afirmou que a isenção de tarifas sobre as importações de aço e alumínio “não virá sem contrapartida dos países”.

O anúncio de Lighthizer desfez uma confusão ocorrida na quarta-feira 21.03, quando o presidente Michel Temer falou sobre a exclusão do Brasil sem que a informação oficial tivesse sido confirmada. Ontem, ainda havia cautela por parte do governo.

“Vamos aguardar a publicação para definir os próximos passos”, afirmou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge. “Por enquanto o que nós temos são declarações”, afirmou.

Não havia detalhes sobre a implementação das medidas. Lopes não soube responder se as empresas brasileiras terão de pagar uma caução correspondente ao valor da sobretaxa enquanto durar a negociação.

“Há um caminho a ser percorrido”, disse o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Ele classificou como um “bom augúrio” a disposição do governo americano de abrir uma negociação com o Brasil e avaliou que o País tem boas bases para um entendimento. Isso porque, em suas declarações, Lighthizer demonstrou um reconhecimento das especificidades do caso brasileiro.

Representantes de empresas e autoridades do governo brasileiro têm insistido que o aço brasileiro não é uma ameaça à segurança dos EUA, porque 80% do que é vendido para lá é produto semiacabado, que serve de matéria-prima às indústrias locais. Além disso, o Brasil é grande importador de carvão siderúrgico americano, com compras anuais de US$ 1 bilhão. Outro argumento é que a balança comercial entre os dois países é favorável aos Estados Unidos.

Sem barganha. Por essa razão, Aloysio acredita que a negociação com os EUA não será travada na base do “toma lá dá cá” de produtos específicos. “Se a questão é de segurança nacional, não tem por que trocar aço por manteiga”, exemplificou. Marcos Jorge afirmou que as indústrias brasileira e americana “já têm uma relação de reciprocidade.” Ainda não há reuniões marcadas.

Também está sem data o telefonema do presidente Michel Temer ao presidente americano, Donald Trump. A expectativa, porém, é que ela ocorra nos próximos dias. Mais provavelmente, a partir da semana que vem. O representante do setor de aço ligou ontem para Temer para reiterar a importância desse contato e o presidente teria lhe assegurado que a conversa ocorreria em breve.

Além da negociação governo a governo, o aço e o alumínio podem ser excluídos da sobretaxa mediante pedidos formulados por pessoas ou empresas americanas. Segundo Lopes, as exportadoras brasileiras já contataram 100% de seus clientes nos EUA com esse objetivo.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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