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EUA fecham acordo com a chinesa ZTE

Companhia vai pagar US$ 1,4 bilhão para poder voltar a comprar componentes americanos

O governo Trump chegou a um acordo com a chinesa ZTE mediante o qual a fabricante de equipamentos de telecomunicações vai pagar US$ 1,4 bilhão em troca da suspensão de uma proibição que a impede de comprar componentes americanos. O movimento foi visto como uma concessão-chave a Pequim em meio a conversações comerciais tensas.

Wilbur Ross, secretário de comércio dos Estados Unidos, disse ontem 07.06, que um acordo final foi assinado com a ZTE por violar sanções americanas contra o Irã e a Coreia do Norte. A decisão veio depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter divulgado, no mês passado, os esboços de um acordo.

O anúncio ocorre após crescentes críticas no Partido Republicano sobre a condução, pelo presidente, das negociações comerciais com a China e de tentativas de alguns membros do Congresso americano de controlar sua autoridade para impor tarifas sobre a União Europeia, o Canadá e outros aliados em nome da segurança nacional.

As concessões ressaltam crescentes tensões antes da cúpula de líderes do G7, em Quebec, reunindo os EUA e seus velhos parceiros estratégicos da UE, Canadá e Japão. Eles receberam mal o que veem como uma abordagem mais conciliatória de Washington nas negociações com a China.

Justin Trudeau, primeiro-ministro canadense, disse em uma conferência de imprensa conjunta com o presidente francês Emmanuel Macron, em Ottawa, ser “risível” que os EUA estejam impondo tarifas sobre importações de aço e alumínio de seus aliados por motivos de segurança nacional.

“Não se pode travar uma guerra comercial entre aliados. Nossos soldados combatem ombro a ombro para defender nossos valores”, disse Macron. Referindo-se expressamente a Trump, acrescentou: “Ninguém é eterno”.

Mas Ross acusou o Canadá e outros aliados de hipocrisia. “Eles sequer se deram ao trabalho de usar qualquer desculpa de por que eles têm tarifas assimétricas contra nós, por que têm barreiras comerciais não tarifárias que são monumentais contra nós”, disse ele à CNBC. “Eles nem se preocupam em tentar inventar uma desculpa.”

Ross também disse que as tarifas americanas haviam funcionado para pressionar os aliados a tomarem medidas contra exportações de aço chinês para seus próprios mercados, algo que os EUA vinham defendendo há anos.

Em Washington, Marco Rubio, o senador republicano que lidera as críticas à mudança da posição de Trump em relação à ZTE, criticou o “acordo muito ruim”, e prometeu sustentar sua pressão no Congresso para bloqueá-lo.

“Esse ‘acordo’ com a ZTE pode impedi-la de vender para o Irã e para a Coreia do Norte. Isso é bom. Mas em nada contribuirá para nos manter a salvo de espionagem nas esferas empresarial e nacional. Isso é perigoso. Agora, o Congresso precisará agir para manter os EUA a salvo da China”, disse Mark Warner, vice-presidente da Comissão de Inteligência do Senado, no Twitter. “Eu garanto com 100% de confiança que a ZTE é uma ameaça à segurança nacional muito maior que o aço da Argentina ou da Europa.”

A sanção contra a ZTE foi anunciada em abril, depois que a empresa foi flagrada violando as sanções dos EUA ao Irã e à Coreia do Norte e dos termos de um subsequente acordo de admissão de culpa. Sob o acordo, a ZTE pagará uma multa de US$ 1 bilhão em dinheiro e depositará US$ 400 milhões, a serem confiscados se as violações persistirem, disse Ross. Durante os próximos 10 anos, empresa terá de manter contratada uma equipe de conformidade escolhida pelas autoridades americanas para monitorar seus negócios “em tempo real”, segundo o Departamento de Comércio. Se a companhia for flagrada desrespeitando o acordo durante a próxima década, ela seria proibida de adquirir componentes dos EUA por 10 anos.

Fonte: Valor Econômico

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