Portal Eletrolar.com

Notícias

Economia local anima mais os executivos do que o exterior

Pesquisa global da KPMG ouviu 53 líderes de empresas no Brasil

Mesmo com a recente paralisação dos caminhoneiros e com as incertezas das eleições, os executivos das principais empresas brasileiras estão mais otimistas em relação a economia local do que com a mundial. Pesquisa da KPMG aponta que 79% dos consultados acreditam na melhora do cenário econômico brasileiro nos próximos três anos e apenas 53% nutrem a mesma confiança em relação aos outros países.

Os números foram revelados pela 2ª Pesquisa Anual Global da KPMG, que ouviu 53 líderes de empresas no Brasil – o levantamento é parte de um estudo que abrange outros 19 países e 1.578 executivos. No recorte brasileiro, foram entrevistados executivos de empresas que, em sua maioria (49%), faturaram entre US$ 1 bilhão e US$ 9,9 bilhões em 2017, sendo que mais da metade (60%) registrou crescimento no período, em relação ao imediatamente anterior.

“Os executivos têm hoje uma confiança maior no mercado local provavelmente porque a gente tem uma demanda interna reprimida [depois de tanto tempo de recessão] a ser atendida”, afirmou Charles Krieck, presidente da KPMG no Brasil.

Além disso, Krieck afirma que as influências geopolíticas nunca foram tão importantes e consideradas nas estratégias das empresas como hoje. “Temos a incerteza do conflito entre Estados Unidos e Coreia do Norte, temos o Brexit, as decisões de Trump, eleições no Chile e no México. Tudo isso pode mudar os rumos desses países.”

Outro dado interessante é que, para 89% dos entrevistados, a prioridade, em termos de expansão geográfica nos próximos três anos, é alcançar mercados emergentes, enquanto que só 9% dos entrevistados pretendem investir em países desenvolvidos.

As expectativas positivas são reforçadas pela declaração de 67% dos entrevistados de que não acreditam que haverá grande dificuldade em atingir o crescimento projetado. A grande maioria prevê aumento moderado nas receitas nos próximos três anos. Dos executivos ouvidos pela pesquisa, 87% estimam expansão de 2% ao ano. Evolução superior a esse patamar é prevista por 8% dos respondentes, que esperam avanço entre 2% e 4% ao ano no triênio que está por vir. E apenas 4% indicaram que poderão expandir suas receitas entre 5% e 9% no mesmo período.

A pesquisa revelou também que ao mesmo tempo que estão otimistas, estes presidentes de empresas fizeram seus planejamentos estratégicos para alcançar o crescimento projetado e se preocupam com os principais obstáculos do Brasil aos seus negócios.

Quatro em cada dez entrevistados pretendem aumentar o investimento em processos de inovação. É o mesmo percentual (42%) de quem pretende participar de empreendimentos corporativos. Não muito inferior é a parcela de executivos que pensa em criar programas de aceleração ou incubadoras de “startups” (40%) e investir em empresas dessa mesma categoria (38%).

Em relação aos possíveis impedimentos ao crescimento de suas companhias, o risco operacional é o maior temor dos empresários, com 75% das respostas.

Segundo Krieck, há um reconhecimento muito claro pelos executivos de que, embora o Brasil seja um mercado de grandes oportunidades, também é o mais difícil para operar, por conta de seu tamanho, logística e carga tributária. “A greve dos caminhoneiros foi um grande exemplo disso e colocou à prova vários planos de contingência que as empresas têm: como operar sem pessoas, sem material, sem combustível, entre outros”, completou o presidente da KPMG.

Quatro em cada dez entrevistados pretendem aumentar o investimento em processos de inovação

Ainda no que diz respeito aos maiores riscos apontados pela pesquisa, 60% dos empresários declaram temer eventuais ameaças à segurança cibernética, 36% se preocupam com a taxa de juros e 34% declaram estar apreensivos em relação à perda de talentos.

O levantamento da KPMG foi feito em janeiro, antes das paralisações dos caminhoneiros ocorridas em maio, que impactaram as atividades em vários setores da economia e fizeram o governo revisar sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano. O presidente da consultoria disse ao Valor que voltou a conversar com os executivos depois dos últimos acontecimentos no Brasil para testar o que foi dito na pesquisa e o resultado o surpreendeu: o otimismo continua.

Os entrevistados esperam um crescimento menor do que previam para este ano, mas ainda maior do que o ano anterior. A maioria projeta um aumento de 2% a 3% no faturamento neste ano.

“Na média, claro, o efeito da greve é negativo. Perdemos nove dias com a paralisação. Mas os CEOs não estão enxergando isso como uma catástrofe, todos estão vendo ainda um 2018 estável em relação a 2017 e um 2019 positivo”, afirmou Krieck.

A visão dos líderes internacionais sobre o Brasil é ainda mais surpreendente, afirma ele. Os executivos lá fora estão vendo essas turbulências com muito mais naturalidade que os próprios brasileiros, acreditando que é mais uma crise que o país superará.

Além disso, há a percepção de que o Brasil está muito mais forte, após a Lava-Jato. “Estamos limpando as sujeiras e o fato de estarmos colocando as coisas na mesa tem sido visto como positivo”, completou.

Fonte: Valor Econômico

publicidade