Portal Eletrolar.com

Notícias

Economia brasileira ainda não sentiu efeitos da Copa 2018

Nem mesmo o setor de eletroeletrônicos, que historicamente é o mais beneficiado no período, tem demonstrado otimismo com as vendas


A Copa do Mundo está próxima, mas poucos efeitos têm sito notados na economia por conta do Mundial. Nem mesmo o setor de eletroeletrônicos, que historicamente é o mais beneficiado no período, tem demonstrado otimismo com as vendas. Especialistas apontam que, em função da crise, há indicações de que o setor informal venha a ser o mais beneficiado pela Copa deste ano.

De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), a expectativa é que a Copa resulte na venda de 12,5 milhões de aparelhos de TV em 2018. Apesar de o volume ser 10% superior ao de 2017, a tendência é de que, no primeiro semestre de 2018, ele fique abaixo do anotado no mesmo período em 2014, quando da última Copa, realizada no Brasil, e vencida pela Alemanha.

“Na comparação com o primeiro semestre de 2014, quando foram vendidas 7,935 milhões de TVs, o volume estimado para 2018 é 14% menor”, disse o presidente da Eletros, Lourival Kiçula, ao afirmar que a indústria se preparou “com bastante antecedência” para esta Copa, no sentido de suprir as demandas vindas dos varejistas e de garantir a reposição de estoques.

Segundo ele, a Copa do Mundo representa uma “inversão de sazonalidade”, uma vez que traz, para o primeiro semestre do ano, as vendas de aparelhos eletrônicos que normalmente ocorrem com maior intensidade no segundo semestre.

“O mercado de televisores muda de patamar a cada quatro anos. Os televisores ganham mais evidência, uma vez que todos os brasileiros, apaixonados por futebol, querem acompanhar os lances de perto com a máxima qualidade de imagem”, disse.

A venda de televisores pode acarretar em um efeito dominó positivo para outros setores. É o caso da TV por assinatura. “A exemplo das Olimpíadas, a Copa ajuda a aumentar a demanda no nosso setor. As pessoas se preparam para a Copa. Elas trocam de televisor, e isso também é algo que as motiva a adquirir canais por assinatura. Uma coisa puxa a outra”, disse o diretor de Produtos de TV por Assinatura da NET, Alessandro Maluf.

Citando levantamentos feitos pela Agência Nacional de Telecomunicações, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) diz que o setor como um todo registra queda de assinaturas há dois anos, mas que a tendência é de estagnação, já que entre março e abril a redução do número de assinaturas ficou menor, em apenas 900 assinaturas.

Informalidade poderá ter benefícios

Segundo o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Marilson Dantas, a crise econômica prejudicará ainda mais “o efeito mínimo” que a Copa terá para a economia do país. Segundo ele, a tendência será a de favorecer o consumo de produtos mais baratos, oriundos da economia informal.

“O efeito da Copa para o Brasil será mínimo. Incentivará o consumo de alguns produtos específicos e de forma pontual. É o caso, principalmente, dos televisores. Mas em termos gerais o efeito é mínimo, ainda mais em um período de crise como o atual, que naturalmente já levaria as pessoas a consumirem produtos mais baratos como os ofertados pelo comércio informal”, disse.

O comércio informal, acrescenta, não deixa de ser relevante e positivo do ponto de vista econômico, até por ter, em sua cadeia, diversas etapas de formalidade econômica.

“Toda oportunidade de consumo gera riqueza. A economia é única, independentemente de ser ou não formal e ligada a uma pessoa jurídica. A economia informal está dentro da economia. Apenas não é alcançada pela área tributária. Ela apresentará resultados, ainda que não preponderantes para o processo de desemprego”, opinou o professor da UnB.

Efeito para os países que sediam o Mundial

Na Copa de 2014, sediada no Brasil, o peso do evento na economia foi bem maior. “Para os países que sediam a Copa, o efeito é muito maior e envolve todo um processo de investimento pesado, que antecipa demandas de infraestrutura pública, visando os chamados legados. Nesse caso, o setor mais beneficiado é o dos transportes, que têm relação direta com jogos e com os estádios”, explica o professor Dantas, da UnB.

No caso do Brasil, os investimentos foram essencialmente públicos, o que, segundo o professor, acabou por prejudicar as contas públicas.

“Infelizmente não tivemos competência efetiva para atingir todas as metas relacionadas ao legado, já que parte das obras não foi concluída. Dívidas foram contraídas, mas resultados não foram consolidados. Isso costuma acontecer com a grande maioria dos países que sedia a Copa. Não é uma exclusividade do Brasil”, afirmou.

“O esforço foi muito grande e o resultado muito pequeno e envolto a suspeitas de desvios que resultaram em investigações. Veja o caso de Brasília onde foi construído um estádio de quase R$ 2 bilhões. Criamos uma dívida pesada que não faz sentido. Gastou-se para gastar mais, porque, além do pagamento da dívida, pagam-se juros e, agora, gasta-se ainda mais por conta da necessidade de manutenção do estádio”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

publicidade