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Custo da energia terá impacto sobre retomada em 2018

Esse ponto foi levantado por dois economistas durante seminário da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV).

É cedo para fazer cálculos, mas a queda do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, o aumento do uso das térmicas e a consequente elevação do preço da energia para as empresas, em especial a indústria, pode ter efeito na atividade econômica em 2018. Esse ponto foi levantado por dois economistas durante seminário da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“Se o perfil hídrico piorar, talvez tenhamos um PIB de eletricidade menor, por causa do aumento do uso das térmicas”, afirmou Livio Ribeiro, do Ibre-FGV. Ele observou que, por questão metodológica, no PIB, para um mesmo nível de produção de energia, quanto mais térmicas usadas, mais cai o nível da atividade. “É um risco para o ano que vem.”

Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, diz que é cedo para fazer avaliações sobre impacto no PIB, mas um aumento expressivo no custo da energia pode elevar o custo das empresas no momento em que se preparam para uma retomada do crescimento e do investimento. “Nosso problema agora é energia elétrica. Acho que isso pode ser um problema em 2018”, afirmou.

As reformas e medidas já aprovadas pelo governo Michel Temer terão um impacto positivo relevante sobre o PIB potencial e vão contribuir para reduzir a taxa de juros estrutural do país no prazo de cinco a dez anos, afirmou Alessandra Ribeiro, economista-chefe da Tendências Consultoria. Entre as reformas, ela cita a nova Lei de Estatais, o teto dos gastos, a reforma trabalhista, a criação da Taxa de Longo Prazo, a devolução dos R$ 100 bilhões do BNDES ao Tesouro, a reforma do ensino médio, a lei do pré-sal e o plano de recuperação fiscal dos Estados.

“Estamos nos debruçando sobre isso. Estimamos que o resultado total virá em dez anos. Mas já em um prazo de cinco devemos ver um efeito sobre o PIB potencial e a produtividade total dos fatores”, afirmou.

A materialização das reformas, junto com economia mais equilibrada, inflação alinhada à meta e um juro real baixo em termos históricos devem levar a um juro estrutural mais baixo nos próximos anos, afirmou Alessandra. Em 2022, esse juro estrutural deve estar entre 3% e 3,5%, segundo ela.

A Tendências estima inflação (pelo IPCA) 3,1% em 2017 e de 4,1% em 2018. De 2019 para frente, a expectativa da consultoria é que a inflação oficial rode em torno de 4%, mesmo com o reequilíbrio da economia. A consultoria estima a Selic em 7% ao fim deste ano e 6,75% ao fim de 2018, taxas mais baixas do que as inicialmente esperadas.

O potencial da queda da taxa de juros sobre a recuperação da economia brasileira está sendo subestimado pelo mercado, segundo Cristiano Oliveira. A instituição é uma das mais otimistas quanto ao PIB do país: estima crescimento de 4,1% em 2018 e 4,5% em 2019. Para 2017, prevê 0,8%, perto da média do mercado.

“A recomposição de estoques deve dar o impulso inicial neste ciclo de crescimento. Investimento e consumo devem contribuir com mais força a partir de 2018. Temos desafios que vão aparecer depois de 2020”, afirmou.

Sobre o cenário externo, o economista vê uma economia mundial com crescimento mais favorável e taxas baixas de juros. Os termos de troca também devem ser favoráveis nos próximos meses. “Ninguém espera queda nos preços das commodities nos próximos 12 meses”.

Na contramão do discurso mais otimista que começa a se formar a respeito do desempenho da economia em 2018, o economista Livio Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre-FGV) afirmou que há riscos não desprezíveis para o Brasil em 2018, para além das incertezas relacionadas à eleição presidencial e à questão fiscal.

As boas notícias são que há um espalhamento maior do crescimento doméstico e o cenário é benigno tanto para inflação quanto para juros, disse. De outro lado, ele é cauteloso com o cenário externo, com a leitura dos indicadores domésticos de confiança e com o mercado de crédito. “Não muda o horizonte da economia para 2018 e 2019, mas chuvas e trovoadas devem vir pela frente. Tem mais risco em 2018”, afirmou. A dispersão das estimativas de crescimento, diz, denota as incertezas pela frente.

No cenário externo, Ribeiro pondera que embora o crescimento das economias desenvolvidas esteja se acelerando com inflação sob controle, há uma “migração” no tom do discurso dos bancos centrais. “Estamos no inicio de uma correlação para cima. É muito lento, não muda nosso horizonte, mas há cautela”.

Fonte: Valor Econômico

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