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Com greve, economia brasileira encolheu 3,34% em maio, a maior queda em 15 anos

Desempenho foi pior até mesmo que na época da crise financeira de 2008


Os estragos causados pela greve dos caminhoneiros agora estão claros na atividade econômica como um todo e não apenas em dados de setores como indústria e comércio. A economia brasileira encolheu 3,34% em maio, de acordo com o índice do Banco Central que mede a atividade econômica (IBC-BR). Foi a maior queda já registrada pela autoridade monetária desde quando começou a calcular o indicador, há 15 anos.

Superou até mesmo dezembro de 2008, quando a atividade despencou 3,08% no auge dos impactos da crise financeira internacional. A diferença é que, naquela época, o resultado foi o ápice de outros fortemente negativos. Agora, o país começava a se recuperar, mas a paralisação reverteu os avanços.

A greve afetou todos os setores da economia. Derrubou a produção industrial em 13 dos 14 estados pesquisados pelo IBGE em maio. A retração foi de 10,9% em maio. Os impactos foram sentidos por todo o país. O maior tombo foi no Mato Grosso, onde o setor teve retração de 24% na comparação com abril, já com ajuste sazonal. Apenas no Pará — onde a produção extrativa mineral tem forte peso — houve avanço na indústria, de 9,2% no mês.

No comércio, a paralisação fez as vendas caírem 0,6%. Afetou com mais força o setor de serviços, que encolheu quase 4% em maio. Esse setor movimenta mais de 70% da riqueza produzida anualmente no Brasil.

Ao longo dos cinco primeiros meses do ano, a atividade econômica cresceu apenas 0,73%. Nos últimos 12 meses, a expansão foi de 1,13%.

O BC revisou os dados. Anteriormente, dizia que o país só havia crescido em abril. Agora, além de aumentar o crescimento naquele mês, afirma ainda que houve expansão também em fevereiro.

O IBC-Br foi criado pelo BC para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) é divulgado pelo IBGE com defasagem em torno de três meses. Tanto o IBC-Br quanto o PIB são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia.

O indicador do BC leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços).

Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações.

Fonte: O Globo

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