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Com dólar em queda, Selic é mantida em 6,5%

Segundo comunicado do BC, o Copom decidiu manter a Selic porque o ritmo de recuperação econômica está “mais gradual” do que o observado no início do ano.


Pela quinta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), manteve a taxa Selic em 6,5% ao ano em decisão unânime. A avaliação é de que o dólar mais baixo, por volta de R$ 3,70, diminui os riscos de pressões inflacionárias para 2019 e que há espaço para manter os juros em patamar estimulante para a atividade econômica. A expectativa de que haja aprovação de reformas e condições benignas para a economia no próximo ano está fazendo com que analistas reduzam as projeções para a Selic no ano que vem, de 8% ao ano para 7,5%. Para alguns especialistas, é possível que a autoridade monetária nem mexa na taxa.

Segundo comunicado do BC, o Copom decidiu manter a Selic porque o ritmo de recuperação econômica está “mais gradual” do que o observado no início do ano. Além disso, os membros do comitê avaliam que a inflação está em nível apropriado, com os próximos três anos com taxas próximas dos centros das metas, estipuladas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A projeção da autoridade monetária é de que o índice de preços fique em 4,4%, 4,2% e 4% em 2018, 2019 e 2020, respectivamente.

O Copom apontou ainda que possíveis choques de preços podem ser mitigados pelo grau de ociosidade da economia. Ou seja, a alta da inflação é limitada por uma recuperação lenta. Mesmo assim, o BC destacou dois temas que devem ser determinantes nas próximas reuniões em 2019: o equilíbrio das contas públicas e a aprovação de reformas. O balanço de risco do comitê, entretanto, dá a entender que há mais chances de aprovação de medidas estruturais no próximo governo.

A avaliação do BC ocorre após o resultado das eleições, com a vitória de Jair Bolsonaro — considerado o mais reformista entre os dois candidatos do segundo turno. “Uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária”, apontou o comunicado da decisão.

Também será levado em conta nas decisões do próximo ano o cenário externo, que continua desafiador, segundo a autoridade monetária. “Os principais riscos seguem associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas e a incertezas referentes ao comércio global”, disse o relatório.

A manutenção da taxa já era esperada pelo mercado, após a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais. Agora, os economistas aguardam que ele cumpra a agenda de reformas prometida durante a campanha, principalmente a que muda as regras da Previdência Social. O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, avaliou que, com o dólar rondando R$ 3,70, os juros podem seguir “tranquilamente” em 6,5% ao ano até o segundo semestre de 2019 e terminar o próximo ano em 7,5% anuais.

O especialista ressalta que há chances de que não seja necessário elevar a Selic em 2019. “Mas isso dependeria de termos a aprovação das reformas, porque há um cenário externo que será, no mínimo, tão ruim quanto foi em 2018. A não aprovação das reformas tende a frustrar as expectativas, o que levaria a uma pressão maior por conta do dólar e que torna necessária a alta antes do fim do ano”, avaliou Souza Leal.

De acordo com o economista-chefe da Mongeral, Júlio César Barros, a economia brasileira ainda está com grande ociosidade, sendo necessário juros estimulativos para fomentar a atividade. Segundo avaliação de mercado, o patamar considerado neutro é de cerca de 8% ao ano. O especialista apontou que, apesar dos últimos resultados mensais positivos do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a recuperação ainda é lenta, tanto é que o desemprego continua em índices elevados. A próxima reunião do Copom ocorre entre 11 e 12 de dezembro.

Fonte: Correio Braziliense

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