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CEO da Ericsson adota cautela com condenação da Lei de Informática na OMC

CEO global da fabricante, Börje Ekholm, ressaltou que o mundo caminha para o software e que a empresa irá produzir onde ‘for mais produtivo e lucrativo’. Brasil está entre os 10 mercados principais da multinacional.

Borje Ekholm

A Ericsson atravessa, globalmente, um momento delicado de sua história, tendo reportado queda nas vendas de 8% e queda de 164% no lucro líquido no segundo trimestre deste ano. No entanto, sem divulgar números locais, o CEO Global da Ericsson, Börje Ekholm, assegurou que os negócios no Brasil vêm apresentando bom desempenho e não sofreu abalos em decorrência das crises econômica e política do País. “Ao redor do mundo, as operadoras estão desacelerando os investimentos, um cenário diferente do que ocorre no Brasil, um dos mercados mais importante para a Ericsson”, destacou, em encontro com jornalistas nesta quarta-feira ,27/9, durante visita ao País, quando se reúne com líderes das operadoras Claro, Vivo, Oi e TIM.

O Brasil está entre os dez principais mercados para a multinacional sueca. De acordo com o presidente para Europa e América Latina, Arun Bansal, as operadoras no Brasil vêm passando pela transformação digital. “Isto tem nos ajudado a crescer”, afirmou. No encontro, a empresa também anunciou o início da produção local do rádio NGR 4415 na unidade brasileira de suprimentos localizada em São José dos Campos. Perguntado sobre os impactos da decisão da OMC, o CEO foi cauteloso. “É difícil especular, mas somos uma companhia global e olhamos para onde produzimos. Além disto, temos P&D no Brasil e é preciso lembrar que o mundo está indo para software e software é pesquisa e desenvolvimento”, disse. De acordo com ele, ainda é muito cedo para tomar alguma decisão em decorrência da resolução da OMC, mas ressaltou que “a Ericsson vai produzir onde for mais produtivo e lucrativo”.

Diante da desaceleração dos investimentos das operadoras e do aumento contínuo do tráfego de dados, a missão da Ericsson, enfatizou o CEO, é entregar soluções que permitam às telcos reduzirem custos e serem mais eficientes na forma de operar e de usar o espectro. A companhia está dividida em três áreas de negócios: redes; TI e nuvem (serviços digitais) e mídia. Para este último segmento, a Ericsson está buscando empresa para ser parceira, adiantou o CEO, declinando fornecer detalhes de como seria o arranjo da parceria.

Falando dos negócios da Ericsson, Börje Ekholm reconheceu a pressão por lucro e resultados, mas não confirmou demissão de empregados na América Latina. A imprensa estrangeira reportou possível demissão de 14 mil empregados na América Latina e Europa. “Estamos investimento mais em áreas críticas e buscando uma estrutura de custos mais eficiente”, afirmou, completando que é necessário reduzir os custos da companhia e que a política de redução de custos está sendo implantada localmente observando as características de cada país.

5G

Apesar de ainda não ter fechado a padronização para a quinta geração da telefonia móvel, as operadoras precisam preparar a infraestrutura, como, por exemplo, virtualizando a rede, digitalizando o core e modernizando sistemas de BSS e OSS. “5G até pouco tempo atrás era buzzword, mas já começamos a ver desenvolvimentos novos e podemos acreditar que vai acontecer em 2019 ou 2020”, completou o CEO, Börje Ekholm. “5G está começando a acontecer e cada vez mais os clientes precisam preparar o core.” Do lado da Ericsson, Arun Bansal explicou que, mesmo sem padrão definido, o hardware está pronto e a camada de software será integrada quando a padronização sair. “Estamos lançando equipamentos prontos para 5G.”

Ao ser questionado sobre como enxerga o futuro das telcos, Ekholm discordou da ideia de que poderiam ser apenas redes “burras” (dumb pipe) servindo de infraestrutura para outros serviços, como oferta de vídeos. “Dumb pipe não é uma boa descrição, porque cada vez mais a infraestrutura de telecomunicações é crítica para diversos serviços. Penso que com 5G, as operadoras têm uma oportunidade para pensar diferente a rede, porque ela terá um papel mais importante à medida que a computação vai para pontas (edge computing). As operadoras estão sob pressão agora, mas 5G aumenta a importância de telecomunicações.”

Fonte: Convergência Digital

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