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Cartão: juro médio de 285%

A alta ocorre no momento em que o Brasil tem a menor taxa básica de juros (Selic) da história.

Os juros do rotativo do cartão de crédito caíram em 2018, mas a queda não ocorreu para todos os consumidores. O rotativo tem duas modalidades, a regular, destinada às pessoas que pagam ao menos o valor mínimo da fatura mensal, e a não regular, para os que não conseguem nem custear esse montante. Segundo o Banco Central (BC), as taxas da primeira modalidade subiram 30,7 pontos percentuais no ano passado, saindo de 237,3% ao ano em dezembro de 2017 para 268% no último mês.

A alta ocorre no momento em que o Brasil tem a menor taxa básica de juros (Selic) da história. O mesmo não aconteceu para os consumidores que usam o rotativo não regular, que são, paradoxalmente, considerados maus pagadores. Após medidas tomadas pelo BC em 2018, os encargos da modalidade recuaram 97,4 pontos percentuais, passando de 395,1% para 297,7% ao ano.

Considerando as duas opções em conjunto, a taxa do rotativo do cartão de crédito diminuiu 46,7 pontos percentuais em 2018, mas ainda está em 285,4% ao ano, nível extremamente alto. Especialistas explicam que a operação é a pior oferecida pelo mercado e só deve ser usada em casos de extrema emergência.

O rotativo regular foi a única modalidade de financiamento que registrou aumento nas taxas de juros. De acordo com o BC, considerando os juros dos empréstimos para pessoas físicas com recursos livres — aqueles negociados no mercado — recuaram 6,1 pontos percentuais em 2018. A média saiu de 55% para 48,9% ao ano. Segundo a instituição, isso foi possível devido à queda da Selic, que está no patamar mais baixo da história, e a recuperação da economia.

O chefe do Departamento de Estatística do Banco Central, Fernando Rocha, disse que houve um crescimento de 5,5% no mercado de crédito bancário após dois anos seguidos de contratação. O saldo de financiamentos saiu de R$ 3,09 trilhões em dezembro de 2017 para R$ 3,26 trilhões no mesmo mês de 2018.

Mercado

A economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti, explica que as concessões de crédito tiveram leve melhora em 2018, mas ainda muito tímidas. “Quando observamos o volume emprestado pelos bancos em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), o saldo ficou praticamente estável, saindo de 47,2% para 47,4%. Ou seja, o mercado andou de lado. Não puxou a economia para cima, como deveria”, ressaltou.

Os dados do BC mostram que o crédito aumentou, sobretudo, com os empréstimos destinados aos consumidores, já que houve melhora nas condições financeiras das famílias em 2018. Segundo a autoridade monetária, a taxa de inadimplência caiu ao longo do ano passado. Entre os consumidores, passou de 3,5% para 3,2%. Entre as empresas, de 2,9% para 2,4%.

O crédito para pessoa física subiu 8,6% em 2018, passando de R$ 1,65 trilhão para R$ 1,79 trilhão. O financiamento para pessoa Jurídica também avançou, mas de forma moderada. Estava em R$ 1,44 trilhão em dezembro de 2017 e atingiu R$ 1,47 trilhão no último mês, variação de 1,9%. “A perspectiva é de um 2019 muito melhor, com recuperação da economia e do mercado de trabalho, que reduzem risco de inadimplência”, avalia Marcela.

Fonte: Correio Braziliense

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