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Brasileiro opta por dispositivos móveis nos pagamentos

O varejo brasileiro tem muito potencial para crescimento, e as empresas que apostarem em tecnologias disruptivas, como inteligência artificial, estarão à frente das demais na oferta de produtos e experiências customizadas.


O consumo online aumenta. De 2014 para 2018, o número dos que adquirem produtos no e-commerce ao menos uma vez por mês subiu de 58% para 65%. O brasileiro, por sua vez, se mostra propenso a utilizar os dispositivos móveis: 41% já compraram via smartphone e 30%, por tablet. No segmento de eletroeletrônicos, as compras online, no mesmo período, cresceram de 12% para 27% do total comercializado. A loja física, porém, não ficou para trás. Este ano, cresceu a frequência a elas pela primeira vez desde que começou a ser feita a Global Consumer Insights 2018, pesquisa da PwC, que ouviu 22 mil pessoas em 27 países, inclusive no Brasil. Aqui, há otimismo entre os consumidores frente aos próximos 12 meses, e boa parte do consumo deverá ser feito por dispositivos móveis, diz o sócio da PwC Brasil, Ricardo Neves.

O brasileiro, realmente, vai comprar mais este ano?
Ricardo Neves – A pesquisa mostrou que, em todos os segmentos, houve aumento significativo das compras online. No País, 71% dos entrevistados esperam aumentar ou manter as despesas com compras nos próximos 12 meses.

São muitas as compras online de eletroeletrônicos?
RN – Cerca de 69% dos brasileiros entrevistados disseram que compraram online algum produto das categorias de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, celulares e TI nos últimos 12 meses. São consumidores apaixonados por esses produtos e demonstram um otimismo maior do que o da média brasileira: 51% deles têm a visão de que a economia estará melhor este ano.

Eles gastam mais?
RN – Dentre os consumidores desses produtos, 54% têm a expectativa de gastar mais este ano do que em 2017, e metade deles compra, ao menos uma vez por mês, por meio do smartphone. Dois terços disseram que costumam dar preferência a comprar de varejistas que disponibilizam os meios de pagamento móvel e, preferencialmente, através do smartphone.

A que se deve o crescimento das compras com esses dispositivos?
RN – É uma tendência mundial, as compras no canal online têm crescido praticamente em todos os países, e assim será, cada vez mais, com os avanços na infraestrutura. Hoje, há maior facilidade nos pagamentos com dispositivos móveis, porque os próprios varejistas investiram em seus sites. Antes, cada um tinha seu aplicativo, o consumidor utilizava uma vez e deletava. Também havia reclamações sobre os sites, que apresentavam problemas quando o pagamento era feito com celular. Mas houve avanços em todos os sentidos, a resolução da tela melhorou muito e ajudou a aumentar o movimento de compras. O varejista percebeu, investiu no mobile first e em estrutura melhor.

Quais os principais atrativos das compras online?
RN – As compras online, especialmente nos smartphones, cresceram nos últimos anos por oferecer melhor preço numa época de redução do poder aquisitivo do brasileiro. Além disso, esse canal cresceu de maneira relevante em opções de varejistas, ao mesmo tempo em que melhorou a navegação dos sites para dispositivos móveis e a segurança das informações pessoais, conferindo maior conveniência ao consumidor.

Diminuiu a insegurança de comprar com dispositivos móveis?
RN – O próprio aumento do uso desmitifica o termo segurança. O dispositivo está sendo mais utilizado, mas também houve a quebra de barreira com a implantação de segurança pesada, que chegou por meio das empresas multinacionais. Isso fez o nível de desconfiança baixar.

A pesquisa online de um produto gera imediatas propagandas. O consumidor gosta disso?
RN – O brasileiro não tem muito problema nesse ponto. Na pesquisa, quando perguntamos sobre o nível de conforto quando da utilização de seus dados cadastrais, 63% dos entrevistados (no mundo foram 42%) disseram que não se importavam, desde que fosse para melhorar o relacionamento com o varejista e que a contrapartida viesse sob a forma de ofertas personalizadas. O brasileiro tem uma relação mais aberta sobre seus dados, mas quer contrapartida positiva. É um componente cultural.

Como estratégia de vendas, funciona bem?
RN – Não é uma estratégia ruim para o mercado brasileiro, mas é preciso dosar e avaliar o quanto é possível ser invasivo e o que trará maior ou menor benefício. O que o varejista não pode é perder a mão.

Como aperfeiçoar a relação com o consumidor sem invasão?
RN – Quanto mais o varejista conhecer o consumidor que entra em sua loja, melhor ele poderá fazer o seu planejamento. É difícil dizer até onde vai a invasão. Não dá para saber, é uma questão de tentativa e erro. O varejista pode perder cliente nesse contexto, mas também pode ganhar. É através do retorno do consumidor que ele pode analisar a situação.

A loja física, hoje, tem um novo papel?
RN – Com a ascensão da conveniência do canal online, a loja física adquiriu um novo papel, que é o de dar espaço completo à experiência dos produtos e da essência da marca. É dentro da loja que o consumidor amplia suas informações, se entretém e pode realmente ver e tocar seu produto. A loja física tem o papel preponderante de oferecer a retirada instantânea dos produtos, coisa que não ocorre no canal online.

Qual dos dois formatos tem mais chances de crescimento?
RN – No Brasil, o canal online ainda tem muito a crescer em termos de quantidade de varejistas, em receita e na conveniência oferecida, e a loja física pode ser aprimorada. Sem dúvida, são canais complementares e é dessa forma que o consumidor tem enxergado a marca. O que ele deseja é ser atendido impreterivelmente, e cabe ao varejista oferecer-lhe a maior quantidade possível de pontos de contato.

A inteligência artificial vai contribuir para atrair o consumidor à loja?
RN – As empresas que estão mais avançadas têm feito algoritmos e também promoções setorizadas, por exemplo, por cidades. Os varejistas que se valem da inteligência artificial utilizam-na para definir promoções, fazem a customização em massa. Ela é uma realidade no Brasil e não é restrita às grandes redes, pois há uma série de startups que podem ajudar as pequenas empresas, aquelas que têm fôlego menor para investir.

Como o senhor vê o varejo daqui para a frente?
RN – O varejo brasileiro tem muito potencial para crescimento, e as empresas que apostarem em tecnologias disruptivas, como inteligência artificial, estarão à frente das demais na oferta de produtos e experiências customizadas.

Fonte: Redação Eletrolar News

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