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Autoridade monetária pede paciência para os mercados

O BC diz que as projeções de inflação caíram, mas ressalta os riscos para a consolidação desse cenário “no médio e longo prazos”.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pede paciência aos mercados. Indica que vai demorar algum tempo para avaliar os riscos sobre a implementação das reformas fiscais e sinaliza que não vai se dobrar a cenários inflacionários voláteis de curto prazo.

A ata do colegiado, divulgada ontem 18.12, é cheia de palavras e expressões que mostram a inclinação para esperar pelos resultados do governo Jair Bolsonaro antes de definir os rumos da política monetária, sobretudo o encaminhamento e aglutinação de base no Congresso para aprovar a da reforma da Previdência.

O BC diz que as projeções de inflação caíram, mas ressalta os riscos para a consolidação desse cenário “no médio e longo prazos”. Prega, ainda, “cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária” e diz que esse é o roteiro certo “inclusive diante de cenários voláteis”.

A mensagem geral da ata parece na medida para coordenar as expectativas de setores do mercado que vêm se animando com a queda de indicadores de inflação no curto prazo, acreditando que eles podem se sobrepor a um balanço de riscos ainda pendendo para o lado negativo.

As apostas mais “dovish” (inclinadas ao corte de juros) no mercado ganharam força depois que, na semana passada, o Copom retirou a ameaça de subir os juros gradualmente mais cedo do que o esperado, caso houvesse piora no balanço de riscos e/ou nas projeções de inflação.

A ata, que explica as razões para a manutenção dos juros básicos em 6,5% ao ano, diz muito claramente que o colegiado preferiu não dar indicações sobre os passos futuros de política monetária e que as próximas decisões continuarão dependendo da evolução dos dados econômicos que serão divulgados nos seus próximos encontros. Igualmente importante: destaca que, apesar da melhora no balanço de riscos para a inflação, ele continua assimétrico.

No comunicado divulgado na semana passada, o Copom reconheceu que aumentou o risco de a recessão mal curada levar a uma inflação menor que a projetada e que diminuiu o risco de uma frustração nas aprovações das reformas. Essa avaliação foi interpretada como uma sinalização “dovish” por segmentos do mercado.

Na ata, o Copom diz que, apesar da melhora, os riscos não estão superados. “O Comitê ressaltou que os riscos altistas para a inflação permanecem relevantes e seguem com maior peso em seu balanço de riscos”, diz o documento. “Os membros do Copom concluíram que persiste, apesar de menos intensa, a assimetria no balanço de riscos para a inflação.”

A mensagem central parece ser que levará algumas reuniões para o Copom definir se será necessário mesmo, no futuro, levar a uma normalização da política monetária, retirando os estímulos feitos nos últimos anos. A primeira questão que se colocará é se os juros poderão ficar estáveis. A segunda, se poderiam cair.

A esse propósito, o colegiado renovou o seu entendimento de que, nos níveis atuais, os juros estimulam a economia. Ou seja, pelo menos por enquanto, não aderiu à tese defendida por alguns economistas de que a taxa de juros neutra da economia pode ter caído para cerca de 3% ao ano reais.

A ênfase nos riscos de “médio e longo prazos” e na necessidade de “perseverança” parece indicar que o colegiado dará um peso menor à evolução de indicadores de curto prazo que não mostrem uma clara mudança na tendência da inflação, em um ambiente de riscos ainda assimétricos.

Fonte: Valor Econômico

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