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Atividade econômica dá sinais positivos no início de 2018

Indicadores antecedentes e de confiança reforçam tendência de aceleração observada no fim de 2017

Depois de subirem de forma quase ininterrupta no segundo semestre do ano passado, os indicadores de confiança iniciaram 2018 na mesma toada. Nove índices de comércio, indústria, construção e consumidor divulgados por diferentes entidades subiram em relação a dezembro e a janeiro de 2017. A maioria ainda aponta diminuição no pessimismo, mais que aumento do otimismo, já que estão abaixo dos 50 ou 100 pontos, níveis que separam esses dois “sentimentos”, a depender da metodologia. E, em alguns deles, os subindicadores de expectativas caíram diante do quadro de grande incerteza política que caracteriza este ano eleitoral.

Sondagens divulgadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), FecomercioSP e as confederações nacionais da Indústria (CNI) e do Comércio e Serviços (CNC) vieram positivas este mês, principalmente com a melhora das avaliações sobre a situação atual. “Os números do fim do ano passado vieram em geral bons e os primeiros dados de 2018 reiteram a expectativa de aceleração da economia”, afirma Rodrigo Nishida, economista da LCA, citando a prévia da confiança da Indústria, da FGV, e também o número de emplacamentos na primeira quinzena do mês. No período, 7.855 veículos leves foram emplacados por dia útil, número cerca de 20% maior que no mesmo período do ano passado, segundo Nishida. É um aumento esperado por causa da base fraca de comparação, mas mostra a manutenção de bons números em janeiro.

Outro indicador de atividade, a expedição de papel ondulado aumentou 6,8% no quarto trimestre de 2017 sobre o mesmo período em 2016, segundo a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). No ano, o crescimento deve ser de 4,6% sobre 2016, contra uma expectativa inicial de alta de apenas 1%. Para 2018, a projeção é de um aumento de 3,5%. Até o primeiro semestre de 2017, o aumento da expedição estava concentrado no agronegócio. A partir do terceiro, houve um crescimento mais disseminado entre os diversos setores da economia, afirma a entidade.

No comércio, os estoques estão cada vez mais ajustados, o que abre espaço para mais encomendas à indústria. De acordo com a CNC, que reúne o setor no país, de dezembro para janeiro caiu ligeiramente – de 27,9% para 27,5% – a parcela dos que veem estoques acima do esperado. Essa taxa tem caído e converge, mês após mês, para a média histórica do indicador (24,8%). Já a FecomercioSP informou uma melhora no indicador de estoques de dezembro para janeiro, de 103 para 105,3 pontos (quanto mais alto melhor), após o bom desempenho das vendas de Natal. A proporção de empresários que considera seu nível de estoques adequado alcançou 52,5%, ficando acima dos 50% pelo nono mês consecutivo, mas ainda abaixo da média histórica pré-crise, de 60%.

Na sondagem industrial da CNI, apenas oito dos 28 segmentos do setor de transformação – couro, calçados, têxteis, móveis, minerais não metálicos, máquinas e equipamentos, manutenção e celulose – estavam com os estoques acima do planejado em dezembro de 2017. O processo de ajuste, iniciado em 2016, continuou e o ano terminou, na média, com os estoques sob controle, segundo a confederação. “Considerando-se as expectativas empresariais para os próximos seis meses, houve significativa melhora nos quesitos demanda, exportações e compras de insumos, cujos indicadores estão acima do nível neutro e superam o observado no mesmo período do ano anterior. Tais resultados reforçam a nossa percepção de recuperação da economia brasileira, ainda que gradual, nos próximos meses”, afirmou o Bradesco, a respeito da sondagem da CNI.

Diferentes segmentos industriais ainda não divulgaram o fechamento de 2017 e ainda estão fazendo as sondagens individuais de janeiro, mas as expectativas são positivas em boa parte deles. No setor têxtil, as empresas estão com estoques adequados. Depois de uma queda na demanda em outubro e novembro, houve uma sinalização de retomada em dezembro, segundo Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). “O ano vai ser positivo para produção e para o consumidor”, afirma.

Na parte de bens de capital, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a tendência é de melhora em 2018, segundo José Veloso, presidente executivo da entidade. “Começamos o ano com otimismo”, diz. Depois de quatro anos de queda no consumo aparente de máquinas e equipamentos, as empresas terão que renovar seu parque industrial, o que em parte já está acontecendo. Depois de ver uma queda de faturamento de 3% em 2017, a expectativa é crescer de 5% a 8% neste ano.

Há setores, contudo, que não veem uma melhora significativa em 2018, ao menos por ora. Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), diz que 2017 foi um ano difícil e ainda não viu melhora. “Neste início de ano ainda não percebemos algo que indique recuperação notável”, afirma. A expectativa do executivo é de um primeiro semestre fraco. E a menos que o inverno deste ano seja mais vigoroso que o do ano passado, quando predominaram as temperaturas amenas, o quadro não deve mudar muito. Segundo ele, a queda no desemprego e o ganho de renda por causa da queda da inflação não tiveram impacto muito relevante no setor que, segundo previsão preliminar, cresceu 2,3% em 2017. “Neste ano, se empatarmos, vai ser bom”, diz ele, explicando que tradicionalmente em anos de Copa do Mundo outras demandas substituem a compra de calçados na cesta do consumidor. Klein cita a eleição como um fator de incerteza sobre a demanda.

Para Viviane Seda, coordenadora da sondagem do consumidor da FGV, o cenário político pode ter algum impacto sobre o consumidor. “Teremos um ano de eleição com muitas dúvidas no campo político e este pode ser um fator de redução, mesmo que pequeno, nas expectativas”, disse. Rodolpho Tobler, coordenador da sondagem do comércio da mesma instituição, diz que o humor do empresário do setor pode se tornar mais volátil pelo mesmo motivo. O contexto geral, contudo, afirmou, deve continuará favorável ao setor.

Fonte: Valor Econômico

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