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Associação pede que parcelamento sem juros no cartão deixe de ser opção para consumidor

Proposta está sendo analisada pelo Banco Central


O tradicional parcelamento “sem juros” nas compras com cartão de crédito pode deixar de ser uma opção ao consumo dos brasileiros. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs) apresentou ao Banco Central uma proposta para substituir essa modalidade de compra, adotada em mais da metade dos pagamentos feitos com o plástico, por uma forma de crediário que terá as mesmas taxas em todos os estabelecimentos.

Hoje, de acordo com as operadoras, o parcelamento “sem juros” é uma opção disponível principalmente nas grandes redes de varejo. O BC, no entanto, ainda não decidiu se acata ou não o pleito das operadoras de cartões. Procurada, a Abecs informou que “o tema está em estudo e sendo discutido com os reguladores, mas ainda não há nada de concreto para apresentar”.

No entanto, as administradoras de cartões de crédito (os bancos inclusive) já trabalham para ajustar os seus sistemas ao novo padrão de parcelamento. Nele, as taxas de juros seriam mais baixas e o lojista receberia o dinheiro da venda de uma só vez, em até cinco dias após a operação. No “parcelamento sem juros”, o lojista recebe a primeira parcela só depois de cerca de 30 dias.

– O parcelamento sem juros vai continuar a existir. Mas vai depender do lojista optar por ele ou pelo crediário que estamos desenvolvendo. Quem vai definir o prazo do início desse novo produto é o regulador, que é o Banco Central. Mas, internamente, já estamos fazendo essa padronização que deve ganhar corpo ao longo do ano e ficar pronta para entrar em operação entre o final do ano e inicio de 2019 — disse uma fonte da Abecs.

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) informou que não tem uma posição sobre o assunto. “A CNDL está avaliando os impactos da nova modalidade de crediário apresentada ao Banco Central. Como o estudo do setor de cartões ainda está em fase inicial, a CNDL aguarda fundamentos do novo modelo de parcelamento sugerido para que possa mensurar as reais consequências da medida, não só para os lojistas mas também para os consumidores”, afirmou, em nota.

No parcelamento sem juros, o lojista vende em prestações e recebe o dinheiro das administradoras de cartões também de forma parcelada. Como geralmente precisa pagar seus fornecedores e outros custos num horizonte mais curto, ele antecipa os valores a receber junto a administradora, ou a bancos mediante o pagamento de uma taxa de desconto.

Por isso, esse custo financeiro, reconhecem profissionais do setor bancário e do varejo, é embutido no preço do produto que é oferecido para ser “parcelado sem juros”. Na proposta da Abecs, a taxa do crediário seria “extremamente competitiva” e abaixo desse custo de antecipação dos recebíveis.

Segundo dados da Abecs, cerca de 55% do valor de todas as compras com cartões são feitas no parcelamento sem juros. Cerca de 30% é sem parcelamento e 15% é o financiado com juros.

“Nos países em que o uso do cartão de crédito é disseminado, 85% das operações geram juros. O parcelado sem juros impõe uma dinâmica muito perversa ao país. O lojista não tem fôlego para esperar os dez meses da compra e precisa antecipar esses recebíveis. Isso tem um juro que é embutido no preço do produto”, explicou o executivo responsável pela área de cartões em um grande banco de varejo.

O interesse dos bancos, no entanto, não se limita só a uma preocupação com o fluxo de caixa dos varejistas e a permitir que os pequenos comerciantes tenham condições similares de financiamento ao cliente, mas também a sua própria administração e risco. Isso porque, embora o lojista arque com o custo da operação (o que acaba indo para o preço dos produtos), é com o emissor do cartão, em geral, os bancos, que fica o risco do crédito. O lojista recebe o dinheiro da compra independente do portador do cartão estar com o pagamento em dia ou não da fatura.

“Se for adotado o modo de parcelamento com juros, esse custo ficará mais claro para o consumidor. Os bancos também podem fazer pagamento ao varejista em um prazo menor, de cinco dias. Ele não vai mais precisar fazer a antecipação de recebíveis e assim pode reduzir o seu preço. A ideia da proposta é acabar com esse subsídio cruzado”, disse.

Essa não é a primeira mudança do setor de cartões. Em março, começou a valer a regra do parcelamento automático do saldo do rotativo, caso o cliente demore mais de um mês para fazer essa quitação. Com isso, segundo a Abecs, o juro do cartão caiu de 15,5% para 9,6% ao mês. Já o saldo do parcelamento do rotativo passou de R$ 11,3 bilhões em março para R$ 16,4 bilhões em outubro (último dado disponível).

Fonte: Exame.com

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