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  • 09/11/2016 | 09h24

TV Digital: maior liberdade de escolha

Por: Lourival Kiçula, Eletros

Desde 2014, no mínimo 90% de todos os aparelhos de televisão que recebem sinal digital fabricados no Brasil foram obrigados a incorporar em seu sistema o programa Ginga, software de transmissão de interatividade criado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em conjunto com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A ideia era que servisse para reunir em uma única plataforma brasileira os aplicativos interativos enviados por emissoras de televisão aos espectadores.

Esperava-se que, com o Ginga, o público poderia, por exemplo, enquanto assistisse a uma novela, acompanhar as notícias minuto a minuto, acessar uma loja virtual para comprar as roupas utilizadas pelas atrizes, verificar a programação de um determinado canal ou ver informações de bastidores, entre outras possibilidades.

Infelizmente, a performance do sistema ficou muito aquém do desejado. As leituras mostram que o tráfego de dados e a transmissão de interatividade por meio do Ginga são mínimos. Com a popularização das smart TVs e dos smartphones, a internet se transformou no principal canal de conteúdo interativo no Brasil e no mundo e tornou obsoleta a necessidade de adoção de um software específico para as televisões digitais.

Portanto, a exigência da incorporação do programa não só é desnecessária como prejudicial. É por essa razão que a Eletros pleiteou a alteração da obrigatoriedade compulsória por opcionalidade ao GTPPB – grupo técnico composto por representantes do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

A abertura do mercado para outras aplicações garantiria aos consumidores maior liberdade de escolha, de forma que seja prerrogativa do espectador qual o tipo de serviço que deseja em sua televisão digital. O fim da obrigação evitaria também que os compradores paguem por um sistema que, na prática, não utilizam.

De modo geral, o livre-arbítrio que os fabricantes de televisores têm para optar ou não pela implementação do software é a melhor medida, tanto para o consumidor brasileiro como para a qualidade da produção de conteúdos televisivos e interativos no País. Para o setor de eletroeletrônicos, a extinção da obrigatoriedade traria maior competitividade, atendendo da melhor maneira às necessidades do mercado. Seria mais um passo rumo à consolidação de um ambiente de desenvolvimento industrial no Brasil.

Fonte: Eletrolar News ed. 115

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